110 anos da morte de Tchekohv e suas 110 coincidências em mim.

Hoje é aniversário de morte de Tchekhov (110 anos). Sábado foi o último encontro da oficina. O que eles têm em comum? Na minha vida tudo.

Quando entrei na oficina foi aclamada com um padrinho, o argentino Girondo. Com o tempo, percebi que meu padrinho era na verdade outro. As aulas se mantiveram, os encontros eram calorosos e amáveis e em um dos últimos eu li “O último trem” em seguida um amigo me falou “você deveria ler Tchekhov, te fará bem”, curiosamente me disse isso dias depois do meu relato ao capítulo dedicado ao incrível nome da literatura russa no livro “Para ler como um escritor” que tanto me comoveu e incrivelmente mexeu comigo.

Segui o conselho (confesso um dos melhores que recebi) e comprei o conto “O Duelo”. Já tinha uma expectativa criada quando comecei a ler, mas a cada nova palavra cada pingo dessa agonia era superada com muita classe. Me encantei nos primeiros parágrafos e já no primeiro capítulo Tchekhov entrou na lista dos meus escritores favoritos. Assim que pude avisei esse mesmo amigo que estava lendo o livro e que estava apaixonada. Ele me aconselhou a ler também o livro de contos “A Dama do Cachorrinho”.

Os poucos dias passaram-se e no último sábado (12) foi triste para o último encontro da oficina com meus amigos (já posso chama-los assim). O dia passou, foi ótimo (e ainda encontro palavras para descrever toda essa emoção para vocês) e o mesmo colega que me aconselhou a ler esse maravilhoso escritor russo me chamou de canto e tirou da mochila um exemplar de “A Dama do Cachorrinho”.

Magina, me emocionei pouco. Quase nada. Eu nem gosto de ganhar livros. Fora que, o conselho dele foi o melhor presente que pude receber.

Pastelona como sou, terminei na terça (14/07) O Duelo. E hoje pela manhã, combinando com a data de 110 anos da morte de Tchekhov iniciei minha leitura de “A Dama do Cachorrinho”.  Detalhe: só me atentei a data porque outro amigo veio conversar comigo e comentei sobre meu amadurecimento literário e o conhecimento da obra de Tchekhov.

Curioso tudo isso né? No fim, considero que Tchekhov tenha sido o verdadeiro padrinho e conselheiro que me acompanha. Depois de tantas coincidências não poderia deixar de ser. Uma bela e literária coincidência.

Aproveitando a data de hoje, o relato de Olga, esposa de Tchekhov depois de sua morte:

“Anton sentou-se totalmente ereto e disse em voz alta e clara (embora ele não soubesse quase nada de alemão): Ich sterbe (Estou morrendo). O médico o acalmou, pegou uma seringa, deu-lhe uma injeção de cânfora e pediu champanhe. Anton tomou uma taça cheia, examinou-a, sorriu para mim e disse: “Já faz muito tempo que eu não bebo champanhe.” Ele esvaziou a taça e inclinou-se tranquilamente para a esquerda. E eu só tive tempo de correr em sua direção e colocá-lo na cama e chamá-lo, mas ele tinha parado de respirar e estava dormindo em paz como uma criança…”*

E terminando, extrai de “O Duelo” o dialogo que representa muito em meu momento particular e é carregado de um simbolismo incrível que só quem leu entende:

– É você? A tempestade acabou?

– Acabou.

 

* Texto retirado do site da L&PM disponível aqui: http://www.lpm-blog.com.br/?p=24597

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