Ausência

Acordei com os pés frios, a ponta de cada dedo já deixara de ser sentida pelo resto do meu corpo. Revirei-me na cama na inútil tentativa de sentir-me melhor. Senti o travesseiro úmido das lágrimas que transbordaram do meu coração. Não pude segura-las na minha alma.

O tique-taque do relógio da sala era ecoado dentro de mim, batia no ritmo do meu coração, quase um martelo em meus ossos. Remexi os dedos dos pés, ainda frios.

Nenhum barulho era ouvido, o que me fez acreditar que ainda era madrugada. Tique-taque, tique-taque o relógio batia sem pressa, com urgência. Resolvi levantar. O frio que meu corpo tomou ao sair da proteção quente do cobertor fez com que toda minha pele ardesse e arrepiasse. Inútil era o veludo que vestia. Caminhei preguiçosamente até a mesa de jantar. Ali me acomodei. Percebi que o frio vinha de dentro, não de fora. Vinha daquele vazio que tinha em mim.

Esperei por um copo de leite quente. Nunca veio. Não viria. Lágrimas novamente cobriram meus olhos e escorreram sem permissão. Os dedos dos meus pés mantinham-se frio.

Resolvi voltar para a cama. Relutei com o cobertor buscando o maior calor possível. Depois de calma e aconchegada, senti que os dedos dos pés ainda estavam frios. Percebi que nunca mais se esquentariam, não sem os seus pés quentes encostados aos meus.

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