Um ano de vida nova.

Domingo de chuva, preguiçoso, dia internacional da mulher…

Hoje faz também um ano que resolvi me aprofundar nesse mundo literário que tanto amo. Há exato um ano eu iniciava meu curso na oficina de criação literária no b_arco, que deu origem a esse blog e o projeto.

Em um ano acho que fiz pouco, poderia sim ter me dedicado e feito mais. Mas em um ano consegui evoluir, perder um medo bobo, amadureci literariamente e o melhor: conheci pessoas e escritores que mudaram pra sempre minha vida. Hoje faz um ano que fiz o melhor curso dos últimos tempos e amanhã faz um ano do projeto e do blog e em um ano me tornei colaboradora de um site literário. E pra comemorar esse um ano em Maio publico oficialmente meu primeiro conto que carrega consigo o título do blog. Quanta coisa pra agradecer esse inicio de vida.

Hoje aproveitei a manhã e finalizei um livro que iniciei no fim da semana passada, Ray Bradbury me ajudou essa semana festiva a entender melhor sobre minha escrita e me deu dicas importantes para seguir em frente. Resolvi então compartilhar o último poema do livro que de certa maneira me envolveu; ficou como representação desse um ano:

Temos nossas artes

Então não morreremos de verdade*

Só conhece o real? Caia morto.

Assim disse Nietzche.

Temos nossas artes, então não morreremos de verdade.

O mundo é exagero conosco.

A inundação dura mais que quarenta dias.

O gato que pasta em pastos distantes são lobos.

O relógio que faz tique-taque na sua cabeça é o tempo de verdade.

E que  de noite vai enterrar você.

De madrugada, as crianças cálidas da cama vão partir

E tomar seu coração e seguir para mundos que você desconhece.

E, sendo assim,

Precisamos de nossas artes para aprender a respirar

E bombear o nosso sangue; aceitar a vizinhança do diabo,

E a época e a escuridão e os carros que nos abusam,

E ser palhaço com a cabeça da morte em si,

Ou o crânio vestido com a coroa do tolo

E tocar sinos da cor de sangue e murmurar chocalhos

Que causa terremotos nos ossos no porão tarde da noite

Tudo isso, isso, isso, tudo isso – é demais!

Parte o coração!
Então? Encontre a arte.

Apanhe o pincel. Posicione-se. Sapateie de mentira. Dance.

Corra a corrida. Tente o poema. Escreva uma peça.

Milton faz mais do que pode fazer um deus bêbado

Para justificar o jeito do homem para o homem.

E Melville, divagando, assume a tarefa

De encontrar a máscara por debaixo da máscara.

E o serão de Emily D. mostra a anomalia do homem.

Lixo.

E Shakespeare envenena o dardo da morte.

E que a escavação de uma cova afia uma arte.

E Poe, adivinhando ondas de sangue,

Constrói uma arca de ossos para navegar o dilúvio.

A morte, então, instrumento doloroso de sabedoria,

Com fórceps da arte, puxa a verdade,

E solda o abismo onde ela estava

Escondida profundamente na escuridão e no tempo e na causa.

Embora a larva devoro o nosso coração,

Com a boca de Yorick gritamos “Obrigado!” à arte.

O que tenho a dizer nesse um ano? Obrigada. Obrigada a todo o apoio de vocês, obrigada a cada crítica, obrigada a cada pessoa da oficina que me aconselhou, obrigada a cada escritor que me influencia a cada nova página. Feliz um ano de Enquanto a Chuva Caí que venha os próximos todos anos de vida.

borboletas_livro

* Retirado do livro O Zen e a Arte da Escrita.
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