Lembro do eclipse da época em que era criança. Nome difícil de dizer.

Me disseram que o Sol sumiria; meu pequeno coração doeu de tanto medo da escuridão que chegaria. Tive certeza que nunca mais veria luz.

Alguém trouxe uma espécie de óculos especiais para ver o fenômeno, pra mim, uma espécie de fim do mundo. Paramos todos no corredor largo de piso de cacos vermelhos, estávamos todos na casa de minha avó.

Na exata hora eu não quis ver, “para de ser tonta” ouvi. Preferi admirar a escuridão total chegar, pavorosamente como uma sombra no mundo. Não quis entender o encontro da lua e Sol. Minha alma parecia ter ficado tão escura quanto o dia.

Ouvi aplausos e jamais entendi a felicidade de ver um encontro impossível, nem perto Sol e lua estavam. Só se propuseram em posição reta e apagaram o mundo. Um amor mentiroso e longe que apenas me trouxe medo da sombra.

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