Uma taça feita de um crânio humano – Lord Byron

Hoje o Poema de Sábado vem com um dos poetas da geração Mal do Século (geração do ultraromantismo, pessimismo, individualismo, dúvida e negativismo), o poeta Lord Byron. Ele é conhecido principalmente por sua influência no romantismo, onde tem como característica o pessimismo romântico. Além de ter sido um dos mais lidos poetas europeus, Byron é conhecido também pela vida extravagante que levou.
Trouxe hoje o poema Uma taça deita de um crânio humano, que já pelo nome nota-se a carregada da dor e da melancolia que esse movimento literário nos trouxe. Essa tradução em especial é de Castro Alves.
Uma taça feita de um crânio humano
Não recues! De mim não foi-se o espírito…
Em mim verás – pobre caveira fria –
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!… que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais vale guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
– Taça – levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do réptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
…Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p’ra alguma coisa!…
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