Retrato do artista quando coisa – Manoel de Barros

Esse sábado tem gosto de Manoel de Barros, poeta brasileiro. Foi por vezes comparado a Guimarães Rosa. Mas criou um universo único. Com uma visão única, um realismo que envolve. Manoel foi vinculado ao modernismo.

Hoje trago o poema Retrato do artista quando coisa, que particularmente diz muito do que eu sinto sobre mim, a nunca satisfação daquilo que sou. Imagino que todos aqueles que vivem dessa angustia identificam-se com o poema, com o poeta.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas

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