Tecendo a Manhã – João Cabral de Melo Neto

E o Poema de Sábado está de volta, depois de dois meses sem postagens. Hoje trouxe um poema e um autor que estudei um pouco na PUC, nessa nova oficina que estou participando: João Cabral de Melo Neto – Tecendo a Manhã.

O poema é sonoro, com uma ritma parecida com uma teia. Uma descrição muito bonita sobre o amanhecer:

Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

O bacana de Cabral é sua divisão de assunto, muito marcada entre os parágrafos. Particularmente, consigo ver o amanhecer surgindo ao ler o poema.

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