Eu ainda faço café pra dois.

Duas e vinte e cinco da madrugada. Meu corpo me incomoda. Longas três horas tentando abraçar o sono. Cama dura, travesseiro mole. Frio demais, calor também. Suspiro. Quero chorar. Não saí lágrima. Nem pra direita, nem esquerda. Bruços, barriga pra cima. Braço dormente embaixo do travesseiro.

Resolvo me levantar às cinco e cinco. A cabeça dói um pouco, pensamento acumulado vagando. Acordei assim. Fazia uma hora e quarenta que tinha conseguido dormir. Um banho rápido, quente até manchar a pele de vermelho. Minutos sofridos de escolha da roupa, ainda preta.

Vou dos degraus do quarto até a cozinha ainda tentando montar o quebra cabeça de confusão. Dói mais a cabeça. Cada passo uma dor. Cada minuto pensando mais peças pra montar. Torço de leve o pé direito.

O pó do café fica no armário de cima, não alcanço direito. A cadeira pesa mais do que eu mesma. Açúcar. Água. Sono. Duas colheres. O jogo americano. O pote com torradas. A margarina. Duas xícaras. Cheiro de café. Leite quente. Cadeira vazia. Café demais.

Eu teimo em ainda fazer café pra dois.

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