Desculpe o transtorno, vou parafrasear a crônica do Gregorio Duvivier. Preciso falar sobre o Adriano.

Conheci ele na escola. É romântico sim, nos conhecemos aos 12 anos em uma escola pública na zona norte de São Paulo. Ele me viu primeiro. Éramos de sala diferente em um intervalo com crianças gritando por 20 minutos sem parar. Pra chamar minha atenção tacou uma laranja em mim. Eu estudava lá, ele estudava lá, os nossos futuros amigos também estudavam lá. Meu irmão também estudou na mesma escola, mas não nesse ano. Era 2001. Nunca vou me esquecer o tanto que xinguei – injustamente – o menino que estava do lado dele.

No ano seguinte fui transferida pra sua sala. Sem motivos aparentes para tal. Mas nos tornamos amigos. Quando a sala inteira falava com um folego que só os adolescentes têm, a gente ficava sentado conversando, ele tentando me beijar com um papo todo a lá 13 anos, e eu me desviando com um charme falso. Ele desenhava, era o desenhista da sala. Os olhos, sempre parecendo com lágrimas. Não percebi que seria amor, mas sabia que íamos ficar (ou nos pegar, como se diz hoje em dia). Ele, acho, já sabia que me amava naquela época e nunca desistiu de me beijar.

Foram semanas entre conversas, zuação e desenhos. Almoçávamos juntos todo dia na escola. Eu nem gostava daquela merenda, mas ele sempre me convidava e a conversa era boa. Não tinha internet nessa época, mas consegui o telefone dele.

Começamos a namorar em março de 2003, os dois com 14 anos. Ninguém botou muita fé na gente, mas a coisa foi acontecendo. Fizemos trabalhos de escola, comemoramos as aprovações na ETEc, cozinhamos juntos, jogamos vídeo game, ficamos felizes quando ele começou a trabalhar, passamos na faculdade, compramos um carro, trabalhamos mais. Alguns acidentes apareceram no caminho. Continuamos amigos daqueles amigos que fizemos na escola. Ele me apoiou no que eu gostava de fazer. Eu fiz música, poesia e contos pra ele. Ele desenhou pra mim. Sofremos com os colegas que se apaixonaram por um de nós. Juntamos uma grana pra realizar o sonho de viajar pra fora, dividimos o fone e ele me ajudou com a crise de pânico no avião. Das 10 músicas que mais gosto, quase nenhuma ele compartilha. Mas vamos aos shows juntos. Ele me apoia nas decisões e nas lutas por igualdade. Ensinei pra ele tanta coisa que nem sei numerar, ele também me ensinou muito. Não somos iguais, ele é o pop e eu o cult.

Não terminamos. Nem vamos fazer isso. Mas ele sempre me consola, fez isso quando me acabei de chorar com O curioso caso de Benjamin Button e no começo de UP!. Está do meu lado quando vou aos eventos literários ou na sala São Paulo. Também ficou do meu lado quando meus avós faleceram. E quando eu fiquei doente. Estamos tão ligados um ao outro que sempre que apareço em algum lugar sozinha tem alguém perguntando: cadê ele? E isso prova que pra sempre seremos parte um do outro. Ainda não tivemos filhos, mas faz parte dos planos (eles já têm nomes inclusive). Mas tem outros planos na frente disso também.

Essa semana, na passada, e em todos os dias eu vejo o quanto tenho sorte em ter ele do meu lado. Vejo fotos e filmes e tem dias que vamos dormir de madrugada conversando sobre os momentos juntos. É nos olhos dele que o mundo para ao redor e apenas nós existimos. Ter esse amor me fez e faz mais forte. É livre, é intenso, é só nosso. É aquele poema que eu nunca vou conseguir por no papel. E ao seu lado, nunca falta nada.

* O texto original foi publicado no meu FB pessoal, em resposta a cronica do Gregorio na Folha de S.Paulo nessa segunda*

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