Mayombe

Mayombe

Pepetela


mayombe-pepetelaO autor:
Arthur Carlos Maurício Pestana dos Santos, nome verdade do Pepetela, nasceu em Benguela em Outubro de 1941. Sua obra reflete a história contemporânea de Angola. É descendente de portugueses, e apesar de ser de classe média, frequentou a escola com crianças de diferentes classes e etnias. Mudou bastante de cidades para estudar, mas sua vida mudou mesmo em 1961, quando se juntou a política e em 1963 militou com o MPLA para a libertação da Angola, o que refletiu diretamente em suas obras.

Sinopse*:  O Mayombe tinha aceitado os golpes dos machados, que nele abriram uma clareira. Clareira invisível do alto, dos aviões que esquadrinhavam a mata, tentando localizar nela a presença dos guerrilheiros. As casa tinham sido levantadas nessa clareira e as árvores, alegremente, formaram uma abóbada de ramos e folhas para as encobrir. Os paus serviram para as paredes. O capim do tecto foi transportado de longe, de perto do Lombe. Um montículo foi lateralmente escavado e tornou-se forno para pão. Os paus mortos das paredes criaram raízes e agarraram-se à terra e as cabanas tornaram-se fortalezas. E os homens, vestidos de verde, tornaram-se verdes como as folhas e castanhos como os troncos colossais.

Resenha: E junto com alguns objetivos pro próximo ano, Mayombe acabou entrando na lista de livros lidos em 2016. Pois bem, não era um livro que eu sequer sabia da existência, mas que fez parte das últimas companhias de leitura.

Mayombe foi escrito por Pepetela. A história se passa em Angola e narra um pouco sobre sua luta pela libertação e independência. Cheio de curiosidade, começando pelo nome do livro, que é referência a floresta do Mayombe, lugar onde a história ocorre, passando pelo nome dos personagens que são referência de suas atividades no movimento até a vivencia e os problemas do MPLA, movimento popular que lutava pela independência de Angola e qual Pepetela realmente fez parte.

O livro em si não tem muita ação, mas sua história e importância deixam um gosto mais doce nele. O livro foi publicado em 1980, 5 anos após a independência de Angola, e apesar da data de publicação, foi escrito durante a participação do Pepetela na guerra de libertação durante a década de 70. Com uma visão de quem está dentro dos movimentos de liberdade, podemos entender um pouco mais do processo de guerra, dos ideais, das desorganizações e principalmente, dos problemas tribais que foram enfrentados.

O livro é composto por diferentes pontos de narração (e narrado em terceira pessoa), e apesar do centro da história acontecer com Sem Medo, não da pra classificar um personagem como principal, eu me arriscaria a dizer que até mesmo a floresta do Mayombe entra como personagem foco da narração. Apesar disso, a única personagem feminina, Ondina, não tem voz narrativa, o que mais uma vez nos mostra os problemas que a sociedade angolana passava com a discriminação de gênero também.

O pouco que temos de ação de fato acontece no final, com uma paixão, algumas noites de amor e de luta e uma disputa com os Tugas (como os guerrilheiros chamam os portugueses).

Apesar da pouca ação o livro trás consigo uma história importante, e que é bastante mal explorada no Brasil: a história africana. Ressaltando que a Angola foi um dos países que mais mandou escravos para o Brasil, então, estamos diretamente relacionados com aquela cultura, essência e as pessoas de lá. Além disso, optei por ler o livro sem a adaptação pro português brasileiro, não é complicado e a experiência foi ótima.

(Sinopse do Skoob)
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