Carvão Animal

Carvão Animal

Ana Paula Maia


carvao_animal_1303261722bO autor:
Ana Paula carioca, nascida em 1977. Estudou teatro na adolescência. Depois entrou na faculdade de Ciências da Computação e Comunicação Social. Seu primeiro livro foi publicado em 2003. Faz trabalho para o teatro e o cinema.

Sinopse*: O romance conta a história do bombeiro Ernesto Wesley e seu irmão Ronivon, funcionário do crematório da fictícia e cinzenta cidade de Abalurdes. Assombrados por uma tragédia do passado que ao longo da narrativa os persegue, esses dois irmãos que lidam com o fogo, um para combater e o outro para apagar os vestígios da existência física de alguém que morreu, seguem com suas vidas simples e driblam as intempéries de uma cidade que está sempre em chamas.

Resenha: Precisei recuperar o fôlego algumas vezes durante a leitura desse livro. A descrição, o animalismo, o envolvimento… Tudo aqui beira o nosso lado animal, o inferno particular. É uma literatura linda de se ler, cada trecho te leva pro fundo de um balde cheio de água, que quando notamos já não há oxigênio nos pulmões. Apesar da referencia à água, existe muito mais secura na obra do que água. O livro é claustrofóbico.

Um tapa na cada a momento, apesar de a expressão ser bem clichê. Uma crítica social intensa sobre pobreza, simplicidade, trabalho, dores e sobrevivência. Personagens simples, quase animalescos, mas que extraem o humano de cada um de nós. Aquele lugar sem vida, sem cor, sem esperança traz à tona uma solidão dolorida que sentimos a emergência de soltar. A claustrofobia do livro não vem apenas da sua literatura, as personagens também estão presos, sem ar em uma vida dura e com gosto de fuligem.

O livro começa com uma constatação simples e triste: a única coisa que restará de nós são os dentes. Por sinal, dentes e fogo são duas personagens do livro. Carvão Animal vem daí, um derivado dessas duas coisas e que rodeia todo o enredo. Em Abalurdes, por sinal, o carvão é a vida e a morte.

A leitura desse livro faz parte de um objetivo pessoal de ler mais brasileiros contemporâneos. Cheguei até ele por acaso, mas depois do primeiro paragrafo foi difícil largar, e em um ano que tenho focado em outros projetos, foi ótima a sensação de ser presa. O livro não é grande, é uma leitura boa, com associações simples mas de uma intensidade absurda. O livro é pequeno (tem menos de 200 páginas) e com capítulos bem alternados. Fácil e rápido de ler. Aproveita o Natal e pede de presente ou compra pro colega, esse livro sem dúvida vale a pena (um dos melhores desse ano). E apesar de Carvão Animal ser incrível sozinho, ele é parte da trilogia A saga dos brutos. Eu não li os livros anteriores, mas já está na lista de necessitados.

(Sinopse do Skoob)
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