Usurpadora

Era uma tarde de sol frio aquela. Nos demos ao luxo de acordar um pouco mais tarde e eu não fui pra aula. Resolvemos almoçar no restaurante italiano próximo de onde estávamos morando, lugar em que já éramos conhecidos pelos jantares, não havia aquele aquele calor brasileiro de saber o nome das pessoas, só conhecíamos os rostos.

Macarrão, duas cocas no copo. O meu com almôndegas. A flor roxa na mesa deixava o clima mais delicinha. Conversamos, rimos e comemos. Nada formal, tudo na tranquilidade que só as férias podem te dar. Tínhamos um passeio pra fazer depois do almoço. Não me lembro bem de qual era, mas teríamos que atravessar uma parte da cidade, se minha memória não falha, pegar o trem até a estação que sairia o ônibus até os estúdios da Warner. Saímos sem tanta pressa, mas quase no horário. Eu sempre levo algo pra beber no caminho, é muita sede sempre. Saímos em direção ao metro.

Não precisou muitos passos, um gole na coca, o copo de vidro. MEU DEUS, EU SAÍ COM O COPO DO RESTAURANTE, vão achar que eu roubei. Voltei sem querer ouvir resposta. A porta quando aberta batia em um sininho. Era bem pequeno o lugar, e da entrada já dava pra ver o balcão de pagamento. O caixa e o garçom estirados no chão, rindo de mim. Italianos, tudo ficava mais alto, gesticulavam e quase choravam de tanto rir. Sorry, foi a única coisa que consegui pronunciar, devia compartilhar da vermelhidão no rosto que eles estavam, mas a minha era vergonha mesmo. Deixei o copo na primeira mesa que vi, nem reparei se tinha alguém.

Saí sem falar nada. Quase uma panela de pressão. Meu noivo ria do lado de fora. Pelo menos não tava no chão chorando de rir. Eu também me entreguei ao ataque de riso.

Pelo menos não fui presa e cheguei a tempo no passeio.

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Leia para uma criança

Frustração infantil é algo presente na vida de todo mundo. Quem nunca, né?

Eu criança, era um pequeno ser apaixonado por contos de fadas. Na época não tinha esse lance de princesas da Disney, até tinha algumas (poucas) animações delas, mas as fábulas eram em live-action mesmo e passavam na TV Cultura. Não era tudo tão lindo e assistindo hoje em dia, eram produções bem assustadoras. Mas eu amava fábulas.

E sonhava em ter alguém lendo eles pra mim toda a noite. É coisa de quem também viu muito filme norte-americano, e queria os pais lendo antes de dormir. Meus pais trabalhavam, noite era hora de filhos na cama pra cuidar da casa, nada de ler histórias, não da tempo disso. Aprendi então a contar histórias pra mim mesma. Não lia, não sabia ler, mas conhecia as histórias e aproveitava o pré sono pra contar essas histórias para mim mesma.

Pode parecer triste, mas não era não, era divertido. Eu contava em voz alta. Depois de coberta, um beijo de boa noite e começava. Chapeuzinho vermelho e João e Maria eram minhas favoritas. Moldei-as diversas vezes. Recontei, transformei.

Talvez tenha sido aí que a vontade de escrever tenha começado a ser moldada.

A terra da rainha

Realizar um sonho é algo incrível. Realizei o meu primeiro aos 25. Juntei o dinheiro, coragem, mala e fui. No avião, uma crise de ansiedade, mas tinha uma mão pra eu apertar e me sentir segura. Foram 12 horas de barulho e ar até pisar pela primeira vez em solo italiano. Um café da manhã e 5 horas de espera. Outro voo, esse mais tranquilo.

O céu estava bem azul, mas quando o avião cruzou as nuvens o cinza desceu até o chão. O frio deu pra sentir ali, no caminho até a saída. Um metro. Meia horinha até poder descer. Encontrei-me com os carros em que se dirige pela direita. Eram em sua maioria táxi. Prédio ao estilo antigo, de todos os estilos, desenhado e bem conservado. Foi nessa hora, no barulho da frenética Londres num fim de domingo gélado em bairro central que eu pude afirmar: realizar um sonho era incrível.

Tudo era especial ali, até a primeira refeição em um Burger King, tão igual aqui. Um quase primeiro assalto. O mercado do indiano ali pertinho de casa. Aquela casa que seria minha por 14 dias.

E foram os melhores 14 dias que tive em anos. No fim, já me sentia dali e deles. Um misto de descoberta, encantamento e felicidade. Um preenchimento que nunca mais foi completo como aquele. Realizar sonhos é trabalhoso, e fantástico.

O pequeno príncipe

Existe sempre aqueles livros tema de vida, que é quase uma obrigação a leitura, todo mundo leu, todo mundo conhece é tema até de aniversário de criança e referencia de tanta coisa. Um deles é O pequeno príncipe. O livro é a história do menino, de outro planeta, que tem uma rosa e pensa de uma maneira não tão usual. Olhos abertos de uma maneira diferente. Veja além do obvio.

O pequeno príncipe é um livro, que dizem, você tem que ler a cada dez anos na sua vida, e cada nova leitura, uma diferente interpretação se fará. Não é livro de criança, pelo contrário, é bem de adulto. Tem até quem chore lendo. Mas se leu quando criança, o sentido é ainda mais intenso. Dizem.

Eu confesso agora, nunca li o pequeno príncipe. Mas como boa parte das pessoas que também não o fizeram, eu nunca assumi isso e fingo ter bem lido e adorado. No perfil do Skoob ta até marcado como lido. Parece que se você gosta de livros tem uma obrigação ainda mais forte de ler esse. Mas não, nunca li. Até tentei uma vez (pode ter sido duas), mas a chatice me pegou e desisti. Confesso.

Se minha culpa pode ser dizimada de alguma maneira, apesar de nunca ter terminado de ler o livro, dediquei parte das minhas horas lendo livros e matérias sobre o pequeno príncipe. Achei as análises mais divertidas que a história em si. E se tem um livro cheio de teorias, é esse. E não se engane, o livro não é uma história e filosofia de vida, tem muita coisa por trás, não tão linda e feliz como parece ser.

Curiosidade infantil

Comecei a frequentar a escola aos cinco anos. Estranhamente, era algo que eu queria muito no meu mundo infantil; ia aprender a ler. Achava lindo quem lia, deveria ser fenomenal. Lembro de ouvir minha mãe e avó conversando sobre qual escola seria a melhor opção, eu só conhecia uma ali perto de casa mesmo, joguei na conversa a possibilidade de ser aquela. Foi.

Não me despedi da minha mãe aos prantos no primeiro dia de aula, não teve medo; desci correndo uma rampa até o espaço de jardim em frente as salas, fiquei maravilhada, havia flores na janela. Nossos uniformes eram amarelos, Reino do Sol era o nome da pequena escola infantil, hoje o espaço é ocupado por um outlet de roupas de tricô. Tinha um parquinho, um espaço ao fundo, quatro salas recheadas com mesas quadradas e quatro cadeiras cada. Sinto o cheiro daquele lugar ainda hoje. Amava os penduricalhos de arte na parede.

Depois dos primeiros dias tive a certeza que não gostava da minha professora daquele jardim II. Ela era bruta e irritada demais para trabalhar com crianças.Um dia me vinguei dela, hoje eu vejo assim, apesar de na época ter ficado perdida com a atitude e escondido fervorosamente do mundo o que eu havia feito.

Era um belo dia de sol, a tia M. estava com uma calça leg. Confesso não me recordar o que aconteceu, mas eu estava irritada. Ela se abaixou próximo a mim, a bunda ficou quase na minha cara, aquele monte de pano roxo. Curiosa criança como era e com muitas dúvidas me assolando, decidi descobrir se todas as pessoas tinham buracos na bunda ou se anatomias eram diferentes. Não pensei duas vezes, com o indicador pronto, como se cutuca gelatina pra ver se já está dura o suficiente, dei uma cutucada na bunda dela, bem no meinho, atingindo diretamente o ponto fraco. Ela irritadíssima deu um pulo, brava mesmo. QUE ISSO? TA DOIDA? Fiquei bem quietinha ouvindo, virei pra minha mesa enquanto ela emanava vontade de me matar.

Não usei mais essa tática para me vingar de outras pessoas. No fim não deu pra sanar a curiosidade sobre buracos, mas uma estranha fixação por bundas me açoitou nos anos seguintes, apertei algumas com um fomfom sonoro constrangendo quem menos esperava. Depois passou.

Desculpe o transtorno, vou parafrasear a crônica do Gregorio Duvivier. Preciso falar sobre o Adriano.

Conheci ele na escola. É romântico sim, nos conhecemos aos 12 anos em uma escola pública na zona norte de São Paulo. Ele me viu primeiro. Éramos de sala diferente em um intervalo com crianças gritando por 20 minutos sem parar. Pra chamar minha atenção tacou uma laranja em mim. Eu estudava lá, ele estudava lá, os nossos futuros amigos também estudavam lá. Meu irmão também estudou na mesma escola, mas não nesse ano. Era 2001. Nunca vou me esquecer o tanto que xinguei – injustamente – o menino que estava do lado dele.

No ano seguinte fui transferida pra sua sala. Sem motivos aparentes para tal. Mas nos tornamos amigos. Quando a sala inteira falava com um folego que só os adolescentes têm, a gente ficava sentado conversando, ele tentando me beijar com um papo todo a lá 13 anos, e eu me desviando com um charme falso. Ele desenhava, era o desenhista da sala. Os olhos, sempre parecendo com lágrimas. Não percebi que seria amor, mas sabia que íamos ficar (ou nos pegar, como se diz hoje em dia). Ele, acho, já sabia que me amava naquela época e nunca desistiu de me beijar.

Foram semanas entre conversas, zuação e desenhos. Almoçávamos juntos todo dia na escola. Eu nem gostava daquela merenda, mas ele sempre me convidava e a conversa era boa. Não tinha internet nessa época, mas consegui o telefone dele.

Começamos a namorar em março de 2003, os dois com 14 anos. Ninguém botou muita fé na gente, mas a coisa foi acontecendo. Fizemos trabalhos de escola, comemoramos as aprovações na ETEc, cozinhamos juntos, jogamos vídeo game, ficamos felizes quando ele começou a trabalhar, passamos na faculdade, compramos um carro, trabalhamos mais. Alguns acidentes apareceram no caminho. Continuamos amigos daqueles amigos que fizemos na escola. Ele me apoiou no que eu gostava de fazer. Eu fiz música, poesia e contos pra ele. Ele desenhou pra mim. Sofremos com os colegas que se apaixonaram por um de nós. Juntamos uma grana pra realizar o sonho de viajar pra fora, dividimos o fone e ele me ajudou com a crise de pânico no avião. Das 10 músicas que mais gosto, quase nenhuma ele compartilha. Mas vamos aos shows juntos. Ele me apoia nas decisões e nas lutas por igualdade. Ensinei pra ele tanta coisa que nem sei numerar, ele também me ensinou muito. Não somos iguais, ele é o pop e eu o cult.

Não terminamos. Nem vamos fazer isso. Mas ele sempre me consola, fez isso quando me acabei de chorar com O curioso caso de Benjamin Button e no começo de UP!. Está do meu lado quando vou aos eventos literários ou na sala São Paulo. Também ficou do meu lado quando meus avós faleceram. E quando eu fiquei doente. Estamos tão ligados um ao outro que sempre que apareço em algum lugar sozinha tem alguém perguntando: cadê ele? E isso prova que pra sempre seremos parte um do outro. Ainda não tivemos filhos, mas faz parte dos planos (eles já têm nomes inclusive). Mas tem outros planos na frente disso também.

Essa semana, na passada, e em todos os dias eu vejo o quanto tenho sorte em ter ele do meu lado. Vejo fotos e filmes e tem dias que vamos dormir de madrugada conversando sobre os momentos juntos. É nos olhos dele que o mundo para ao redor e apenas nós existimos. Ter esse amor me fez e faz mais forte. É livre, é intenso, é só nosso. É aquele poema que eu nunca vou conseguir por no papel. E ao seu lado, nunca falta nada.

* O texto original foi publicado no meu FB pessoal, em resposta a cronica do Gregorio na Folha de S.Paulo nessa segunda*

Não nos deem flores.

A repetição acontece, como se pudéssemos voltar todos os anos no mesmo dia e hora, voltar e voltar e voltar. Estamos, tragicamente, presas nessa mesma história por séculos.

Não quero flores no dia de hoje. Nem bombom, nem outro tipo de chocolate. Nem um vale presente, nem um cartão, nem uma mensagem hipócrita falando do falso amor e valorização. Não quero nada disso. Hoje não é um dia pra isso.

Hoje é um dia para nos lembrar da eterna (mais uma vez não saímos do mesmo lugar, presos nesse fluxo) luta da igualdade.

Não mereço flores por ser frágil, quem disse que sou?femin

Hoje eu quero poder andar na rua sem medo de ser estuprada, ganhar o mesmo que meus colegas homens, ter a mesma oportunidade de emprego, ter tarefas de casa e filhos compartilhadas, poder usar a roupa que bem entendo, decidir se quero me depilar ou não, não ser julgada pela proporção do meu corpo, ter direito sobre meu próprio corpo. Hoje que não ser “a pra casa” nem a “a pra transar”, nem a puta, nem a santinha, nem a “tão feio mulher beber igual homem”, não quero ser morta, não quero que me abusem com gritinhos e cantadas nojentas…

O que eu queria de verdade hoje é que não fossemos julgadas e discriminadas por sermos mulheres. Não me venha com flores.

Tão desesperador quanto um fim de ano.

Ninguém se dá conta que no fim, a noite de 31 para 01 de dezembro pra janeiro, é na verdade desesperadora.

Esse papo de “é uma nova chance, é um recomeço, novos 365 dias pra fazer a diferença…”, tudo é papo piegas para esconder em si o medo. Todos nós temos certa ansiedade com mudança, e erroneamente colocamos diferentes expectativas no novo, como se só o fato de mudar um número no calendário fosse o suficiente para reformular uma vida inteira.

Números novos no cabeçalho datado acontecem todos os dias. Páginas em branco também. Aguardar uma mudança anual é covardia presa na garganta. Mudar se muda a cada nova hora do relógio, não precisa esperar todo o ciclo de dias e horas encerrar para começar do zero.

A diferença numérica não vai mudar sua vida, ela vai apenas mudar o número do ano. Mudanças acontecem dentro da gente, na alma. Enquanto isso não acontecer, não terá ano novo. Mudanças reais são tão desesperadoras como um fim de ano.

Stratford

O trem chegou pontualmente às 14h20. O vagão já estava praticamente vazio naquela altura da viagem. Demorei duas horas e dez minutos para chegar.

Ventava. O ar frio trazia consigo a sensação de cortar a pele exposta. Na estação apenas a lojinha de doces, com a porta fechada, tinha movimento. As escadas pareciam um portal para aquele lugar tão sonhado. A placa com o nome da cidade balançava rangendo.

O céu estava de um azul limpo e com poucas nuvens. As folhas pintadas de outono encantavam o caminho, iam de amarelo ao vermelho escuro. Parecia um pouco vazio o caminho até o centro.

Tudo era envolto em seu nome, das lojas de roupas usadas às livrarias, por estátuas eternizando sua história. Não havia mapas à venda, o caminho tinha que ser seguido pelo próprio instinto. Um homem com piano andarilho alegrava o frio. De lá já se via a casa reluzente.

Pisar naquele chão me fez estremecer. Senti ali toda a presença literária que podia ter sido deixada. Da sala ao quarto, uma cozinha bagunçada. O amor de quem ali estava pra contar a história já conhecida.

Mas não era ali ainda que buscava o querer.

Já estava quase escurecendo. O vento úmido de chuva estava mais forte. O chão lamacento, o rio aparentemente calmo correndo devagar ao lado. Os barcos com poucas pessoas aventurando arriscar o frio. Corri mais rápido. Passo a passo sem querer perder o desconhecido caminho. Atento ao rumo da igreja, pontuda por cima das arvores. Era só ali que queria chegar. Os esquilos correndo, os estudantes voltando pra casa. A companhia de teatro no meio. Parecia um caminho sem fim, que me atormentava pelo tempo, que pouco tinha até o fim.

O muro não tinha portão, era amarelo. Bastou os primeiros passos para entender: havia túmulos em toda a volta. Poucas epígrafes resistiram aos séculos. De cruz celta a retângulos, alguns gastos, caídos. Poucos firmes. Do pó dos ossos poucos devem ter sobrevivido. Respirei fundo pra recuperar do susto. A volta toda da igreja tinha deles. Fora e dentro. Dos mais velhos que já pude ver, nenhum era desse século, nem do anterior.

Quando entrei um senhor, de muita idade, estava lá sentado. Me permitiu entrar. Ali não tinha altar, não um dos que se reza. Me direcionei direto a ele. No chão o túmulo estava demarcado no mármore claro. Respirei fundo. Estava ali, com o que de mais mortal restou de Shakespeare. Sentei perto, toquei o chão. Li ali a maldição, aquela que quis quebrar, meus ossos já exaltavam pela ideia. Rezei, pela alma que ali queria tomar pra mim. Que de alma nada ali tinha.

Quis deitar, me apoderar, deixar que aquela paixão e perfeição tomasse a mim. Mas de mim nada fez. Sai então em busca daquilo que o formou, os detalhes da igreja, os documentos oficiais. Toquei cada possível pedaço pra se apoderar de mim.

Percebi que mais do que ter estado onde nasceu, viveu, andou e comeu; estar ali com sua morte, com o cheiro de sua morte fez de mim querer ser poeta, querer ter e ser como a ti. Uma certeza daquilo que me estremecia. Dalí não resgatei suas memórias, mas fez o sangue percorrer diferente.

Durou apenas horas. Trouxe as poucas lembranças que pude. Soneto foi um deles. Mas comigo veio à melhor experiência: a ter estado com ele, a de ter tocado e admirado aquilo que fez Shakespeare ser Shakespeare.

Túmulo de Shakespeare na igreja Holy Trinity em Stratford-upon-avon
Túmulo de Shakespeare na igreja Holy Trinity em Stratford-upon-avon

Parasita

Costumo sentir medo.

Irracional, de tudo aquilo que me transporta ao que deveria ser bom. Um sobressalto imaginário daquilo que imagino não existir; ou existir demasiadamente.

Ele transporta-se perante meu corpo como liquido quente implantado em meu sangue. Percorre cada canto de mim, desde os dedos do pé até a cabeça trazendo consigo a desesperada sensação de horror.

Nunca soube quando ele veio de fato se implantar em mim. Parece que sempre existiu, e persistiu em sua pavorosa essência de se manter parasita em mim. É da minha esperança que parece viver, consumindo-a como alimento para o desespero. Afetou até os batimentos do meu coração, fê-lo desregular sem compasso quase gritando.

“Vai passar”, é o que diz aquilo que de ainda racional vive em mim, mas tão pequeno que é fica difícil ouvi-lo. Grito. Na frustrada tentativa de mascarar aquilo que percorre minhas veias. Grito na iludica tentativa de calar.