A falta que Ama – Drummond

Uma das coisas que mais fiz nesse semestre na faculdade foi analisar poemas. Tivemos aula sobre Drummond durante o semestre todo e o trabalho final não foi diferente. Como faz muito tempo que poema de sábado não vai ao ar, trago hoje A Falta que Ama e a analise que fiz sobre ele.

A FALTA QUE AMA

Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?

 

O poema A Falta que Ama foi publicado em 1968, sendo parte do livro que recebe o mesmo nome e é composto por 28 poemas nos quais quinze são de verso livre e os outros são metrificados. O livro é preenchido por um lirismo filosófico, realismo social e conotações metafísicas, como pontuado pela análise de Merquior em seu livro: Verso universo em Drummond. O autor diz ainda que de modo análogo, uma parte expressiva de A Falta que Ama celebra a imprevisível epifania do ser. Considerado dentro da dialética do eu x mundo como parte da visão do eu igual ao mundo. As obras de Drummond da fase de 70 e 80 são repletas dessas recordações, A Falta que Ama é inclusive lançado no mesmo ano que Boitempo, livro que traz muito das lembranças do poeta.

Quando analisamos especificamente o poema A Falta que Ama, chegamos a um poema composto em métrica de redondilha maior com sete sílabas poéticas, é um poema longo de vinte e oito versos. Possuí uma rima alternada em esquema A B A B em todas as estrofes, estabelecendo uma consistência sonora de homofonia final toante. Indo mais fundo nessa analise interpretativa do poema, podemos iniciar com uma passagem de Merquior sobre ele:

“Desejo é uma noção-chave no mundo lírico de A falta. O poema titular do livro (FQA, 144) alia precisamente o tema do oferecimento do ser (a “canção”) ao tema da falta que deseja (não é a definição platônica do amor?).”.

A Falta que Ama trata de um desejo, expresso já em seu título de organização sintática forte, e um possível arrependimento, marcado por tudo o que se poderia ter ou não ter vivido. É também uma espécie de aceitação do próprio destino e do fim a que se chegou. O jogo de palavras do título já exprime essa primeira sensação de perda, falta, arrependimento e busca. A dicção do título nos dá em um primeiro momento estranheza, a troca sintática das palavras e uma estranha sensação de falta de complemento.

Drummond rompe de certa maneira as regras sintáticas no título, que poderia ser “o amor que faltou” ou “o amor que se quis e não encontrou” nos dando uma pista mais concreta daquilo que quer dizer, mas ele é “a falta que ama”, e a inversão sintática nos leva a pensar se é a falta de amar ou algum amor que faltou em si. O título em principio nos tem uma sonoridade estranha, dando uma noção de falta de um sujeito que ama. Essa estranheza que nos prende a tentar decifrar quem ama e o que falta, mas esse entendimento só se fará concreto quando terminado o poema. O título também nos remete um sentimento de perda, o amar aquilo que agora entendemos como nos falta ou algo que não foi valorizado enquanto o tinha. Uma possível busca por entender algo que agora nos faz parte, seja factível ou não.

Analisando a primeira estrofe, no primeiro verso encontramos um lugar em que temos a sensação de ser amplo, composto apenas por areia, sol e grama, e apesar da sensação de abertura do lugar pela descrição, ele ainda assim nos remete a algo limitado. A descrição nos leva a um campo aberto, aparentemente sem sombra. Ainda obscuro para o entendimento inicial, mas que como parte do todo do poema pode nos remeter a um cemitério. Ou ainda esse lugar nos leve a um plano interior, um lugar vazio composto apenas de três pilares (talvez essenciais pra sua formação, mas apenas isso). É então seguido por três versos que falam indiretamente sobre o ter e não ter, nos remetendo a uma possível busca. No segundo verso há a afirmação de que nos esquivamos daquilo que damos a outras pessoas, uma constância em um processo de desviarmos de coisas ou sentimentos que não nos é importante ou essencial, mas que damos direta ou indiretamente aos outros em nosso convívio, talvez algo ríspido e que não queremos para nós próprios, mas damos àqueles que são parte de nossa vida. Um ato de egoísmo, onde não queremos algo para nós e nos esquivamos dele, mas entregamos aos demais. Paralelamente, no terceiro verso, complementar ao anterior e posterior nos leva como um todo a falta que o que o poeta tem de um determinado amor está sendo procurada em alguém que não há. Uma possível busca eterna por alguém/algo que não existe. Talvez uma busca por algo distante e não alcançável o que nos faz também ignorar aquilo que nos está dado e próximo, ou a perda de tempo por buscar algo que nos faltou. Aqui temos um desejo precedido por uma esquiva e uma busca aparentemente vazia. Em geral, nos três últimos versos dessa estrofe fala sobre nos esquivarmos daquilo que não nos é importante e isso respingar aos outros, dando a eles o que esquivamos de nós mesmo, enquanto a falta de amar, ou a falta de um amor puro e real nos faz buscar em vão alguém que não existe. Basicamente, buscando algo que achamos querer para complementar nossos próprios sentimentos, ignoramos aquilo que nos está presente e esquivando-nos da rejeição a damos a alguém que está próximo.

Na segunda estrofe somos contemplados com alguém sendo coberto por terra, o que é complementar ainda ao primeiro verso da primeira estrofe, moldando ainda mais o lugar amplo que foi descrito e temos a primeira ideia direta de um sepultamento/cemitério. Essa pessoa é então jogada no vazio do esquecimento, torrado, seco e o nada. O sepultar desse corpo o levará ao esquecimento, jogado o corpo em um lugar que lhe fará ser esquecido para os que ainda vivem. E esse esquecimento é aprofundado nos versos seguintes, onde, a visão daqueles ainda vivos se pegará apenas ao que está na superfície, à vista será focada apenas na flor (dália) depositada e crescendo ali em cima do cimento da sepultura, a única vida que teremos naquele lugar, nos remetendo mais uma vez ao esquecimento. A inexistência –ou a perda da memória- será ainda retomada nos versos à frente complementando aqui o sentido do esquecer.

De certa maneira, esse esquecimento é retomado já na terceira estrofe, mas com um tom diferente, voltado agora para onde todo ângulo obscuro é coberto de uma transparência durante aquele momento, um sentido de esquecimento do que se era quando vivo na hora de sua morte, seja um ângulo bom, mas principalmente um obscuro. Sendo que tudo ou parte do que se foi vivo, se é deixado à deriva no momento em que se está morto, só nos resta aquilo de não obscuro lembrado na hora da morte. No verso onze passamos pelas cantigas, típicas de sepultamentos interioranos, momento em que não há mais saída e consequentemente não se precisa mais implorar por nenhuma coisa praquele morto (perdão, saúde…) e não há também motivos para se rir. Uma estrofe que nos mostra os ritos de morte e o momento do enterro.

Indo para quarta estrofe, chegamos a um vácuo sepulcral do enterro, tendo ali uma visão mais forte do ser em processo de enterro, ele já não escuta mais os sons externos e nem mesmo o da poeira que corre em cima de si, ele é incapaz de ouvir a terra espalhada – pelo gesto de jogar punhados de terra em cima do caixão – que acontece fora dali, sendo essa terra espalhada por cima de si do caixão. E é então no décimo quinto e décimo sexto verso que o resumo da vida é fixado em um epitáfio, quando “A vida conta-se inteira, em letras de conclusão”, de toda uma vida, o que lhe restará será de lembrança será apenas aquelas palavras fixadas ali. Outra referencia ao esquecimento daquilo que quis ser em vida, dos pensamentos jogados à luz e caídos na deriva: só sobrará aquilo que foi colocado nas letras de conclusão, que se remete ao que sua vida foi, sua lembrança pelo que os outros se lembram ou associam a ele: um epitáfio e uma dália enfeitando o túmulo.

Vem então o desejo daquilo que não se viveu, a quinta estrofe trás as indagações ou as melancolias sobre a perda de tempo ou a não cura de muitas das dores que se teve. Em “nunca se escoa o tempo, chaga sem pus?” chegamos a uma dor não física, uma ferida de sentimento e que o tempo agora não mais valioso nunca levou embora. Nos primeiros versos vemos ainda uma indagação sobre os nossos pensamentos, a sua essência, que será jogado à toa. Temos então uma sensação de que o poeta tem medo de que tudo o que construiu através de suas ideias e pensamentos em vida tenham sido em vão, jogado em um vazio do esquecimento. Em sumo temos um desejo, um questionamento, sobre a herança intelectual e a dor que não é física que o tempo não retira, ou escoa, de si. Aqui podemos remeter novamente ao início do poema, em que a procura é por alguém que não há. Chaga é também um termo que remete a uma referência bíblica com “as chagas de Cristo”, e aqui Drummond pode indiretamente fazer uma referência a isso também, será que as chagas que teve em vida o salvariam em morte, apesar de sua chaga não ser física?

A última estrofe, inicialmente tão enigmática na poesia e parecendo, em uma primeira leitura, desligada do poema, mas parte essencial do entendimento, nos trás o renascer a partir da morte, uma última esperança. Inicialmente, temos um inseto petrificado em uma concha, uma referencia ao corpo, petrificado em seu caixão, já sem vida e logo sem movimentos e calor, preso nessa concha. É isso que no fim nos tornamos? O tédio do passado e da lembrança une-se ali ao futuro. No verso vinte e quatro faz referência à energia, que é a vida, no solo em que apesar de abrigar a morte, pode fazer brotar uma semente (passado e futuro), a vida onde se tem morte. Seguida de um questionamento sobre o recomeçar. Uma possível esperança na vida que ficará em seu lugar. Porém, ele ainda se questionada sobre o fato de todo esse sentimento ser a falta de algo vivido ou sobre sentir demais esse verbo amar.

De modo geral, o poema nos leva a um sepultamento, sendo o poeta aquele preso à sepultura e ao fim inevitável de sua vida. Com uma visão de quem está sendo enterrado, e aceitando, em parte, esse destino, ele nos trás seus medos pelo esquecimento de tudo o que suplantou com suas ideias e pode agora ser perdido em uma memória vazia sobre aquilo que foi, está ainda em uma busca final pra entender por ter vivido algo que não se viveu ou amado o que não se amou e sua pontada de fé na vida que nasce pela morte. A Falta que Ama pode ser ainda, assim como essa fase poética de Drummond uma recordação melancólica de tudo aquilo que não fez ou que fez demais. O poema é uma indagação sobre o esquecimento e o vazio daquilo que ele próprio foi. O medo, talvez, de uma lembrança sem importância de tudo aquilo que se é e foi.

Em Inquietudes na poesia de Drummond, de Antônio Candido, um dos temas analisados é justamente esse sufocamento e o sepultamento como parte de uma das inquietudes encontradas nas obras de Drummond, aonde em parte da poesia de Drummond chega a assumir a forma de morte antecipada, que parece não só em A Falta que Ama, mas em outros poemas do mesmo livro. Candido ainda pontua que:

“pode dar lugar à exumação do passado, transformando a memória numa forma de vida ou de ressureição.”.

A Falta que Ama trata justamente dessa memória, do medo dessa perda com os pensamentos jogados à luz, a ausência de som, o vácuo. O poema, e até o livro A Falta que Ama, trata da inquietude do medo, da morte e do vazio. A partir de Claro Enigma, essa aceitação do passado passa a ser parte da poesia de Drummond, e Antônio Candido pontua em seu texto que:

“(…) essa serenidade é também fruto de uma aceitação do nada -, da morte progressiva na existência de cada dia; da dissolução do objeto no ato poético até à negação da própria poesia.”.

Em A Falta que Ama há de certa maneira essa aceitação da morte e seu destino, mas há também a busca pela memória e o questionamento sobre a vida, o que se fez e faz. Retomando Merquior, que se refere ao livro como uma possível definição de amor platônico, pode-se considerar que a Falta que Ama é referente ao amor como virtude e sua vivencia ainda em vida, no seu mais puro amor, sobre aquilo que no fim nos fará falta, gerando então um possível arrependimento sobre aquilo que não foi amado no tempo certo, a falta que ama, talvez o sentir demais, e o buscar eterno pela pureza de um amor, aquela falta de ter vivido e vivenciado mais (ou demais) o verbo amar.

 

Se você chegou até aqui, parabéns! O texto é de fato grande e uma analise bem mais detalhada do que o padrão pra colocar aqui. Mas ela é importante pois consolida muito do que aprendi e de como evoluí nas leituras de poema. Quero voltar com Poema de Sábado, com analises mais profundas e melhor elaboradas, aproveitando tudo o que aprendi nesse primeiro semestre na Letras!

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E a vida, como anda?

A galopes!

Há quase um mês as aulas na USP começaram (mais diretamente, dia 13/03). Como eu já imaginava, elas têm consumido bastante da minha energia, uma vez que disponibilizo pouco do que me sobrava de tempo pra estudar e ir as aulas. Mas, pós esse período de adaptação, já posso vir aqui dizer que estou amando e me tem feito um bem não imaginado (na verdade achei que estaria surtando nessa altura). O melhor disso tudo? Não estou apenas me aprofundando em literatura, e indiretamente escrita: estou me afogando nela!

Estou no ano básico, são 2 semestres focados em 4 matérias pra dar a base pra que eu faça uma escolha de habilitação. Quando descobri que era assim, julguei que seria uma certa perda de tempo, mas hoje vejo completamente diferente: essa base tem sido fundamental pra mim. Elas são:

Elementos Linguísticos I (Prof.: Felipe Venâncio)– Estudando a base da linguística, aquisição de fala, fonemas, estrutura de comunicação. É bem complexo todo o sistema, mas muito interligado com o que estudei de teoria da comunicação quando fiz comunicação social. É uma das minhas opções de habilitação, e tenho tido que estudar muito ela.

Introdução aos Estudos de Língua Portuguesa I (Profª.: Mariangela de Araújo) – Aqui, analisamos a história da língua, suas variantes e suas diferentes frentes. Me surpreendi com a matéria e o que tenho aprendido.  Já li muito sobre preconceito linguístico e ele tem se aprofundado aqui, fora que, tenho aprendido tanto sobre minha língua, minha raiz e minha cultura.

Introdução aos Estudos de Literatura I (Prof.: Edu Otsuka) – Essa é de longe a minha matéria favorita. Aprendendo a ler poesia, entender sobre métrica e um pouco sobre teoria literária. O professor leva muita coisa que já vi/li, mas aprofunda no tema de uma maneira que eu não fazia. Tenho aprendido mais do que a ler, é meu aprofundar. Essencial pra minha carreira com a escrita.

Introdução aos Estudos Clássicos I  (Prof.: Alexandre Hasegawa) – Julguei que essa matéria seria “inútil”, mas ela me surpreende a cada aula. Basicamente estudamos Grécia e Roma e suas obras clássicas. Agora estamos nas epopeias e aprendi muito sobre nossa origem, sobre o que e porque somos o que somos hoje. Você entende muito do atual vendo o antigo. Mas essa matéria me fez excluir de vez a opção de fazer Grego ou Latim.

O mais importante disso tudo? Tenho aprendido a ler, escrever e entender melhor todo esse mundo. Se tenho medo de me tornar ainda mais técnica e menos literária? Sim, claro. A academia faz isso conosco, mas não vou deixar isso interferir tanto, pelo contrário. Hoje o que vejo é que o que aprendi tem me afastado do técnico, o “certo” que todos criticavam.

A lista de livros técnicos que estou lendo também é grande (bem grande). E isso tem me ajudado indiretamente em vários aspectos, como  de ler mais rápido. Alguns preciso ler inteiros, outros apenas partes. E vou traze-los como parte do que tenho lido, e eles entrarão na lista de resenhas.

Hoje me sinto dentro daquilo que eu queria muito, que sou eu de verdade. Hoje sinto que valeu deixar de lado muita coisa pra isso estar acontecendo. Aquele fático 2014 e a oficina que deu voz ao blog foram o início disso. Aos poucos as coisas tem voltado ao seu devido lugar, e tempo. Por enquanto, tudo mágico aqui, ainda se ajeitando, mas aos poucos voltando ao que sempre deveria ter sido. Vou dando notícias.

 

Bem-vinda a nova versão de mim mesma.

E as coisas finalmente começaram a se inverter e que agora permaneçam assim. Deixei o blog totalmente ausente em 2016 (acho que posso afirmar que o fiz o mesmo com minha escrita, leituras e carreira literária) pra me dedicar a um sonho: fazer Letras na USP, que se realizou.

Estudar Letras na USP era um sonho. Nessa faculdade em específico pelas opções de habilitação, grade curricular e profundidade da universidade. Queria me envolver com a literatura, linguística, tradução…Eu adiei esse sonho por alguns bons anos, mas na última sexta ele se tornou real. Adiei muitos sonhos nos últimos anos, mas esse blog é a prova viva (digital) de que estou retornando aos poucos.

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Terminei o ensino médio em 2006, na época até tentei (em 2007 também), mas não passei. Em meados de 2008 eu tive a oportunidade de cursar uma universidade através do PROUNI. Não quis “gastar” essa oportunidade com Letras, porque esse curso tinha outro destino. Fui então cursar Comunicação Social. Minha habilitação foi em publicidade e propaganda. Na época desse curso eu pensei em prestar Letras também, mas a vida foi deixando isso de lado. Consegui um estágio, em uma das principais agencias do país (não diria que sorte, mas a vida me levou pra conquistas das quais nem sei dimensionar). Evoluí profissionalmente, ainda na mesma agência. Terminei minha graduação em 2012, mas não tinha condições de seguir pra uma outra em um tempo tão curso. Comecei uma pós-graduação, pra me especializar na área que eu trabalhava, tola, nem imaginava que iria abandonar tudo pra realizar meu sonho. 2013 foi o ano que dediquei pra um intercambio. Em 2014 resolvi que voltaria a tentar, foi o ano que também voltei a escrever, fui fazer uma oficina de criação literária e dela derivou esse blog. E tentei. Fuvest 2015, depois Fuvest 2016. Reprovada em todas. Mas pra Fuvest 2017 eu queria fazer diferente: dediquei a hora do almoço pra estudar, depois o sábado todo pra um cursinho. Não foi um ano fácil, mas eu estudei bastante, e precisava dessa ausência externa e dedicação pra poder realizar isso. E no dia 17/02 o reflexo de tudo isso deu certo: passei! Na última terça me matriculei, hoje acessei o sistema e já vi a minha grade do primeiro semestre.

Felicidade é algo que estou esbanjando sem fim. Os planos? Sinceramente, eu não sei, mas quero aproveitar mais o blog, falar dos meus estudos, aprofundar o que já venho tentando fazer em analises, do que leio, continuar escrevendo… Espero que tudo melhore, evolua e me faça mais presente nesse mundo (agora não preciso mais lembrar o que é diagrama de Pauling!), e claro que eu volte a ativa no blog, na vida e na literatura.

Um amigo (amigão por sinal) deixou-me um texto incrível sobre o momento, e quero deixar ele aqui pra lembrar sempre de que, um novo eu se forma:

“Venha, que a USP não existe mais sem a sua história, sem sua garra, sem as linhas e livros que serão rabiscados com sangue e suor. Sua poesia agora é do mundo. E para isso, não existe ABNT”

Minha poesia, os rascunhos… Tudo isso é pra me fazer melhor e me trazer ainda mais pra perto da literatura que eu gosto, da minha escrita. Minha história deu mais um passo pra próximo daquilo que sonhei pra mim.

Que comece uma nova era em mim.