Não me pergunte qual meu livro favorito.

Leitores, caros leitores, qual de nós nunca ouvi um: qual seu livro favorito?

Tal pergunta me causa calafrios. Mais que pergunta importuna! Sempre aparece em meio a um colega de trabalho que me vê lendo, de um familiar que vê minha prateleira de livros e até de gente que mal conheço, mas solta uma dessas ao me ver com um livro na mão.

Não se deve (ou deveria) perguntar a um leitor fervoroso qual o livro prefere, é quase uma calunia, não é, é uma! Quem muito lê quase nunca tem um único livro favorito, geralmente são vários. Quando a pergunta me assola tento desviar a resposta e levar para outro ponto: prefiro clássicos, prefiro terror, prefiro contemporâneo, prefiro não responder.

E preferia que não tivesse perguntado. Sempre fico com cara de idiota.

Existe diferentes fatores para a escolha de um livro favorito: desde o seu momento pessoal, passando pelo escritor, tema, história, histórico até o quanto a história em si mexe com você naquele momento. É tudo uma questão complicada de lidar. Responder qual, entre os tantos milhares de livros que você leu, um único favorito, ainda pior. E quando a pergunta vem, um baralho começa a se embaralhar e nunca saí nada com nada. Ou saí uma resposta que não era o que queria.

Literatura é escolha, mas será que de apenas um? Até posso ter unzinho na ponta da lista, aquele número um do momento, mas é quase injusto pontuar apenas esse. Ainda mais que, meus preferidos estão sempre subindo e descendo na escala de top favoritos. É tudo questão de momento.

Se você que me lê agora tem bom senso, não me pergunte qual meu livro favorito.

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O que é amor?

O que é amor?
Do latim, amore. Substantivo masculino. É o sentimento que leva a pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa.
Amor tem diferentes formas. No hinduísmo é Krishna, no judaísmo está em Levítico 19:18, no budismo está na meditação. No cristianismo ele começa com Santo Agostinho; cupiditas. No espiritismo é a uma das leis morais da vida. No islamismo o amor está ligado ao ódio, na umbanda o amor é um dom que fora dado a Oxum.

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Na filosofia é Eros, Philia e Ágape. Amor é gesto. Foi no Romantismo que passou a ser fator essencial da própria vida. Amor é a maçã da discórdia na mitologia grega e no jardim do Éden; é o coração recipiente do amor divino; a flecha de Eros; é a poção de Tristão e Isolda, do Fausto.
Amor é isso que não se sabe ao certo como explicar.

Eu ainda faço café pra dois.

Duas e vinte e cinco da madrugada. Meu corpo me incomoda. Longas três horas tentando abraçar o sono. Cama dura, travesseiro mole. Frio demais, calor também. Suspiro. Quero chorar. Não saí lágrima. Nem pra direita, nem esquerda. Bruços, barriga pra cima. Braço dormente embaixo do travesseiro.

Resolvo me levantar às cinco e cinco. A cabeça dói um pouco, pensamento acumulado vagando. Acordei assim. Fazia uma hora e quarenta que tinha conseguido dormir. Um banho rápido, quente até manchar a pele de vermelho. Minutos sofridos de escolha da roupa, ainda preta.

Vou dos degraus do quarto até a cozinha ainda tentando montar o quebra cabeça de confusão. Dói mais a cabeça. Cada passo uma dor. Cada minuto pensando mais peças pra montar. Torço de leve o pé direito.

O pó do café fica no armário de cima, não alcanço direito. A cadeira pesa mais do que eu mesma. Açúcar. Água. Sono. Duas colheres. O jogo americano. O pote com torradas. A margarina. Duas xícaras. Cheiro de café. Leite quente. Cadeira vazia. Café demais.

Eu teimo em ainda fazer café pra dois.

Quando a gente cresce percebe que sonhos não são pra ser vividos. É difícil realizar, fazer real, tirar da cabeça, tocar nele. Viver dele. Quando a gente cresce, o sonho vira uma caixa de e-mails cheia de problemas – não úteis – pra gente engolir.

A/C

De todo o encantamento do mundo, palavras foi sua escolha. Letra a letra pintada em formato de poesia que derruba lágrima e tira sorriso. Vez ou outra gera confusão, reflexão e contorna o mundo em um tom mais belo.

Um dia vou ser como você. Quando eu crescer. Tornar a letra uma magia que transforma.

Quero poder passar ao mundo toda a credibilidade que uma tal de Alice passou, fazer corvos professarem maldições. Expandir assassinatos como os Macbeth. Pintar quadros amaldiçoados. Criar um mundo aonde bruxos vão à escola. E outro onde elfos, duendes e humanos saem em uma jornada.

Rezo para um dia conseguir deixar uma eterna dúvida sobre traição. Fazer toda uma geração perder sua língua e ser dominado por um grande irmão. Fazer dois amantes juvenis se suicidarem. Milionários desabarem. Que um dia eu de uma resposta tão saiba quanto 42. Fazer alguém acordar um inseto. Ou poder pegar o trem e encontrar a morte. Quero que a minha Sofia chegue à ponta do pelo do coelho. Quero fazer alguém beber vinho em crânio. E criar incríveis detetives que possam desvendar o mundo.

Que um dia, minha poesia encante tanto o mundo quanto a sua.

E que um dia, minha palavra seja vida. Quero aprender a fazer do mundo, palavras.

Ser

Sou um fracasso

Sei que sou pelo gosto amargo que enrola meu paladar.

Sou um fracasso quando não choro, quando digo que não digo. Quando penso ser eu sendo ninguém mais que um ninguém.

Sou um fracasso quando penso que sei.

Sou o fracasso quando eu deixo de ser.

Lembro do eclipse da época em que era criança. Nome difícil de dizer.

Me disseram que o Sol sumiria; meu pequeno coração doeu de tanto medo da escuridão que chegaria. Tive certeza que nunca mais veria luz.

Alguém trouxe uma espécie de óculos especiais para ver o fenômeno, pra mim, uma espécie de fim do mundo. Paramos todos no corredor largo de piso de cacos vermelhos, estávamos todos na casa de minha avó.

Na exata hora eu não quis ver, “para de ser tonta” ouvi. Preferi admirar a escuridão total chegar, pavorosamente como uma sombra no mundo. Não quis entender o encontro da lua e Sol. Minha alma parecia ter ficado tão escura quanto o dia.

Ouvi aplausos e jamais entendi a felicidade de ver um encontro impossível, nem perto Sol e lua estavam. Só se propuseram em posição reta e apagaram o mundo. Um amor mentiroso e longe que apenas me trouxe medo da sombra.

Azul

Tons de azul sempre me encantam.

Embebedam me de céu.

Me encanta o tom azul do mar quando sobe e se mistura na imensidão celeste. Torna um, aquilo que parece dois.

Gosto daquele tom azul claro do por do Sol que permeia em um crono de faixas azuladas até o mais escuro, embelezam as tonalidades amarela e laranja de fim de dia. Gosto até do azul europeu que lapida dor.

Sempre gosto de azul porque tem sabor de vida, de pedaço de céu.

É a cor da cor da alma.

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Costumava mastigar pessoas. Mal esperava que elas acabassem de falar pra começar.

A maioria delas era dura demais, sem gosto. Outras eram moles demais, escorregavam molhadas pelos dentes. Algumas eram insuportavelmente frias, outras quente. Um exagero de detalhes experientes.  Mastigava porque apenas engoli-las era dolorido demais para a garganta.

Mastigar pessoas fez de mim intragável ao paladar humano. Um gosto amargo que não escorrega com facilidade.