Odisseia

Odisseia

Homero


O autor:
 Homero foi um poeta da Grécia antiga. Foi o criador das histórias Ilíada e Odisseia. Há diversas teorias sobre ele, e muitos estudiosos contemporâneos não acreditam na sua existência, mas resumidamente, Homero era um aedo (um artista da Grécia que cantava os épicos) e era um poeta cego. No século VIII a.C. houve um registro desses poemas épicos por alguém chamado Homero, e no século VII a.C. ele já era conhecido e havia muito questionamento sobre ele, mas foi no século VI a.C. que uma primeira edição foi feita, e em festas anuais era lido. Por fim, no século III a.C. chega a Biblioteca de Alexandria os possíveis originais que foram editados pelos bibliotecários. Se lemos o Homero original? Não, pelo fato de toda a transformação que um poema oral do século VIII a.C. sofreu, mas há registros de um aedo chamado Homero.

Sinopse*: “Odisseia” é uma narração que nos leva à Grécia de 3.000 anos atrás.Uma fantástica historia de aventura, onde Ulisses, rei da ilha de Ítaca, sai a combate na guerra de Tróia e luta ao lado do poderoso Aquiles.
Todos voltam para o seus lares depois da guerra, mas os deuses assim não quiseram para Ulisses, que então passa a vagar vinte anos pelos mares da Grécia.
Em sua longa viagem, ele se depara com monstros, sereias, feiticeiros e deuses que assumem a forma humana.
Durante esses vintes anos longe de Ítaca, a sua querida esposa Penélope sofre pelo seu marido e somente sobrevive por causa de seu filho Telêmaco e pela esperança de que Ulisses um dia volte e se vingue de todos os pretendentes de sua mão e que constantemente maquinam o assassinato de Telêmaco antes que esse assuma o trono.
Ajudado pela deusa Palas Atena ,filha de Zeus, Ulisses volta para o seu lar na forma de um mendigo, ninguém desconfia que tal mendigo seja Ulisses e passam a tratá-lo mal.
Com a ajuda da deusa Atena e de seu filho Telêmaco, Ulisses mata a todos os devoradores de sua casa e também aos servos infiéis.

Resenha: Odisseia foi meu favorito entre as épicas gregas. Aqui é narrado a história do retorno de Odisseu (ou Ulisses) pra casa, a ilha de Itaca.

Odisseu também luta na guerra de Troia e é ele, inclusive, que tem a ideia de montar o cavalo de Troia para conseguir adentras aos muros da cidade. Odisseu era astuto, o inteligente o polytropos. Ele foi um herói de palavra, e diferente de Aquiles (em Ilíada) ele foi pra guerra e voltou pra casa. Sabia se esquivar e andava praticamente as escondidas. Ele demora 20 anos pra retornar e nesse caminho passa por diferentes aventuras, inclusive, muitas delas ainda retratadas na literatura ocidental, como quando ele é amarrado no barco para ouvir o canto das sereias e não ser levado pelo encanto delas.

Ulisses também não queria ir pra guerra e se finge de doido, tentando se esquivar de Agamenon e Menelau, mas é descoberto e vai, mesmo contra vontade. Odisseu, apesar de contrariado é o grande herói que consegue a proeza de chegar a Troia e ajudar na derrota do inimigo. Para ir à guerra ele deixa o filho a esposa Penélope.

É na Odisseia que descobrimos também sobre a morte de Aquiles, que na Ilíada não é narrada. Odisseu vai a terra dos mortos em um dos cantos e lá conversa com a alma de Aquiles.

Mas a importância da Odisseia é única. Sua escrita foi imitada por outras diferentes clássicas escritas (Eneida, Os Lusiadas, entre outras, e é aqui também que “começa” a teoria sobre a maquina do mundo). A sequencia do retorno, começando com a tempestade que tem que enfrentar por ter matado um Ciclope e gerado a raiva de Poseidon é uma cena imitada inúmeras vezes e de fundamental importância pra literatura ocidental. Apesar de seu retorno ter sido lendo por vontade dos deuses, Odisseu também tem a ajuda de vários deles, e outras criaturas misticas, para seu retorno.

Assim como Ilíada, a Odisseia é uma obra que precisa ser estudada a fundo. A muito na obra que precisa ser detalhado e visto com cuidado. Mas é recomendadíssimo, eu adorei ler e quero depois reler, pra tentar absorver ainda mais da leitura depois de tudo o que aprendi na aula. Pra quem quiser ler, as edições que recomendo são da tradução do Frederico Lourenço ou do Christian Werner (disseram que essa tradução é “difícil”, mas apesar das palavras por vezes não-comuns, não é tão difícil não).

(Sinopse do Skoobl)
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Ilíada

Ilíada

Homero

O autor: Homero foi um poeta da Grécia antiga. Foi o criador das histórias Ilíada e Odisseia. Há diversas teorias sobre ele, e muitos estudiosos contemporâneos não acreditam na sua existência, mas resumidamente, Homero era um aedo (um artista da Grécia que cantava os épicos) e era um poeta cego. No século VIII a.C. houve um registro desses poemas épicos por alguém chamado Homero, e no século VII a.C. ele já era conhecido e havia muito questionamento sobre ele, mas foi no século VI a.C. que uma primeira edição foi feita, e em festas anuais era lido. Por fim, no século III a.C. chega a Biblioteca de Alexandria os possíveis originais que foram editados pelos bibliotecários. Se lemos o Homero original? Não, pelo fato de toda a transformação que um poema oral do século VIII a.C. sofreu, mas há registros de um aedo chamado Homero.

Sinopse*: Na Ilíada, Homero conta como a cidade de Tróia foi sitiada pelos aqueus, que desejavam recuperar Helena, esposa do rei espartano, Menelau, e raptada por Páris. No poema, Homero fornece várias pistas sobre a posição da planície de Tróia e no século I, o escritor grego Estrabão ampliou a descrição desta planície, que na época se chamava Nova Ilium. Esta obra é considerada a Bíblia da antiga Grécia, uma obra-prima. Os combates travados diante de Tróia, provocados pela ira de Aquiles por Agamenon, e as relações familiares atingidas pela guerra compõem um cenário vivo em cores e real nos sentimentos. O autor é representado pelos artistas gregos como um velho cego, que anda de cidade em cidade recitando seus versos.

Resenha: A primeira coisa que vale pontuar aqui é que o filme Tróia conta sim parte do que tem na Ilíada, mas o livro é relativamente diferente, e o filme não conta só com o que tem na Ilíada, mas junta com o que se tem de relato da Odisseia e parte do que acontece no filme, não acontece nos livros. Outro ponto importante é que Ilíada é um recorte da guerra de Tróia, são contados alguns dias dessa guerra e o foco é o Aquiles e sua cólera.

Aquiles, o Peleu, não quer participar da guerra, e o motivo é que ele e Agamenon não são amigos ou nada do tipo, pelo contrário. Aquiles chega a pedir pra sua mãe ajuda-lo a não ir lutar. Mas o grande motivador da ida de Aquiles é a glória que alcançaria. São feitas profecias e como bom guerreiro, ele opta pela glória eterna e a vida curta. Aquiles sabia que morreria (e não é spoiler quando é um livro escrito antes de Cristo!). Mas enfim Aquiles resolve ir a guerra e aí está sua cólera.

Outro ponto importante no livro é que os deuses adoram brincar com os humanos e se dividem entre gregos e troianos. Parte das coisas que acontecem na guerra é inclusive por causa dessa divisão entre os deuses. O livro, inclusive, começa com Apolo jogando uma praga nos Aqueos e com Aquiles chamando o conselho pra discutirem a questão.

Pois bem, Páris sequestra Helena (que é filha de Zeus e nasceu de um ovo, fruto do estupro que ele fez em sua mãe fingindo ser um cisne), e ela já nasce com o destino traçado. Páris ganha Helena de presente de Afrodite. Menelau, irmão de Agamenon, decide então atacar Troia e tem o apoio do irmão, que já lutava pelas conquistas da Grécia. Páris é o “acovardado” da família e como um não-guerreiro, diferente do seu irmão Heitor, é por vezes “zuado” na narrativa.

Na Ilíada, por contar esse sofrimento de Aquiles, não há a narração da sua morte, e o livro acaba com o rito funeral de Heitor, morto por Aquiles após a fúria que o tomou ao ver Patroclo, seu amigo, morto por Heitor.

A Ilíada, assim como outras épicas greco-romanas, são importantes por uma série de referencias e base literária pro ocidente. Claro que só ler não é o suficiente, mas entender a essência e as referencias são essenciais pro conhecimento da obra. Não da pra trazer tudo o que aprendi na leitura e na aula nesse post, mas acredito que com essa resenha inicial já de pra ter noção. Leiam, sério. Não é uma leitura fácil, já digo de bate pronto, mas é ótimo.

Foi nesse livro também que entendemos sobre tradução, e aprendi muito sobre a importância dela. Depois falo mais disso, em outro post, mas minha recomendação de leitura da Ilíada é a tradução do Frederico Lourenço.

(Sinopse do Skoobl)

Poética

Poética

Aristóteles

O autor:
 Aristóteles foi um filosofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre o Grande. É visto como um dos fundadores da filosofia ocidental.

Resenha: Pode parecer estranho a primeira vista essa resenha. E talvez seja mesmo. Mas Poética foi o primeiro livro lido na faculdade de Letras e quis trazer a importância dele pra cá. De maneira resumida, bem resumida na verdade, trago essa resenha.

Primeiro vamos ao termo Poética, que, apesar de parecer falar apenas sobre poema, fala na verdade sobre a literatura. Temos esse pequeno impasse linguístico no português, mas a poética fala sobre toda a produção literária claro que da época em que fez parte, mas que ainda é usada e como toda a produção grego-latina serve como referente ao atual também.

De maneira sucinta, a poética trás um pouco sobre os gêneros literários e a fundamentação do Mimesis, ou a imitação, algo que hoje pode parecer um problema (o tal plágio) não era visto assim na era antiga e inclusive, era considerado um privilégio e era base literária. A partir daí há uma analise e a explicação da subdivisão por modos, meios e objetos. Na poética temos também a linguagem, harmonia e ritmo.

Tem muito o que se falar sobre a poética e classificação dos gêneros e suas subdivisão, mas como o blog não é necessariamente sobre resenhas e estudo, achei melhor trazer essa pequena resenha, pra que, quando puder ou quem quiser, possam aprofundar no assunto.

O que mais tenho aprendido na matéria de clássicos é a importância de se estudar esses autores, pois eles foram essenciais (e as obras greco-romanas como um todo) para a formação da literatura ocidental atual, e com o caminho que quero seguir, acredito ter sido essencial pra minha formação, inclusive, como escritora.

A livraria mágica de Paris

A livraria mágica de Paris

Nina George
O autor:
 Alemã, nascida em 1973, Nina conquistou alguns prêmios no decorrer de sua carreira. Além de assinar como Nina, ela também possuí outros 3 pseudônimos em diferentes gêneros literários.

Sinopse*: O livreiro parisiense Jean Perdu sabe exatamente que livro cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Em seu barco-livraria, ele vende romances como se fossem remédios. Infelizmente, o único sofrimento que não consegue curar é o seu: a desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos, desde que a bela Manon partiu enquanto ele dormia. Tudo o que ela deixou foi uma carta — que Perdu não teve coragem de ler. Até um determinado verão — o verão que muda tudo e que leva Monsieur Perdu a abandonar a casa na estreita rue Montagnard e a embarcar numa jornada que o levará ao coração da Provence e de volta ao mundo dos vivos. Sucesso de público e crítica, repleto de momentos deliciosos e salpicado com uma boa dose de aventura, A livraria mágica de Paris é uma carta de amor aos livros — perfeito para quem acredita no poder que as histórias têm de influenciar nossas vidas.

Resenha: Confesso que esperava um pouco mais do livro. E apesar disso, ele é bom, de uma leitura gostosa e uma história, quase envolvente. Nos primeiros capítulos a história fica arrastada e o uso de algumas marcações de pontuação me irritaram e achei um pouco desnecessário. Mas depois você leva ela numa boa, e vai tranquilo.

Mas li com fé o livro, de linguagem fácil e gostosa. Perdu é uma pessoa que você se envolve, e apesar de o livro poder ser menor e mais bem aproveitado (muitas das partes eram pra preencher folha só), você sente dó dele, e quer se juntar a sua viagem inesperada.

O livro fala sobre o luto, a negação, a perda da própria vida. Mostra a necessidade de se quebrar essa dor e a retomada da vida. Não se aprofunda no assunto, mas é bacana. Eu esperava um pouco mais dos conselhos literários de Perdu e sua livraria barco. A ideia é incrível, mas achei pouco explorada, mesmo ele passando parte do livro ali.

Mesmo com as pequenas críticas, eu acho que o livro é válido, praqueles momentos que a gente quer desencanar de algo pesado. Mesmo falando sobre morte e luto, não há nada de tão forte no livro e o final é bem tranquilo.

(Sinopse do Skoob)

Dois Irmãos

Dois Irmãos

Milton Hatoum

downloadO autor: tradutor, escritor e professor brasileiro, nascido em 1952 em Manaus. Tem quatro romances publicados.

Sinopse*: “Dois Irmãos” é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

Resenha:  Que livro, minha gente. Decidi ler Dois Irmãos por conta da minissérie exibida na Globo, da qual me encantei, e fui ler o livro que estava na lista de livros à ler e subiu na lista de prioridades. Subiu também pra lista de livros favoritos. Poético, melancólico, pesado, envolvente e lindo.

O livro é narrado por Nael, filho da empregada da família que conta a história a partir do que vê e do lhe contam. A história traz muito da cultura e história de Manaus e do Brasil. Cheia de conflitos sociais, de trama familiar e tabus.

A história de Dois Irmãos conta o conflito entre os gêmeos Yaqub e Omar, filhos de Zana e Halim. Yaqub nasce saudável e forte, mas Omar tem dificuldade respiratórias. Junto do fato vem uma diferença de cuidado que faz Omar, o Caçula, ser o filho mais zelado por Zana, enquanto Yaqub recebe mais cuidados de Domingas, índia que é empregada da família. O casal tem ainda Rania, a filha mais nova. Os gêmeos são completamente diferentes, mas o enredo apresenta um reflexo que vai muito além da personalidade deles e uma diferença entre bem e mal. Foge do clichê de briga de opostos.

O problema entre os irmãos se agrava em uma sessão de cinema no porão da vizinha, quando Yaqub senta-se com Lívia, uma garota que ambos galanteavam. Com ciúme, Omar fica longe, aguardando, e quando a luz é acesa e o casal é visto aos beijos, Omar ataca o irmão com uma garrafa quebrada, atingindo seu rosto, marcando-o com uma cicatriz muito mais profunda que apenas na pele, e que marcaria muito além dos gêmeos. Halim decide mandá-los para o Líbano, pra se entenderem. Zana não permite que Omar vá, mas deixa Yaqub viajar sozinho, acreditam que a distância possa amenizar a rivalidade.

Cinco anos se passaram até a volta de Yaqub, que chega sem lembrar direito como se fala português, com roupas velhas e sem bagagem. Durante o tempo no Líbano não respondeu a nenhuma das cartas da mãe e a família só sabia notícias do filho por meio de amigos ou parentes. O reencontro dos meninos é pesado, doído. Yaqub um moço ainda mais quieto do que quando partiu, sem modos e nitidamente incomodado com todos. Omar, o garoto divertido, escandaloso, mimado e sem responsabilidade.

O decorrer da narração mostra a evolução de Yaqub e a irresponsabilidade de Omar, conta a vida dos gêmeos até a fase adulta, os conflitos, reencontros, separação e angústia.

Esse é um livro que deveria ser obrigatório para todo brasileiro. Leitura mais que recomendada.

 

(Sinopse do Skoob)

Shakespeare: O que as peças contam

Shakespeare: o que as peças contam — Tudo o que você precisa saber para descobrir e amar a obra do maior dramaturgo de todos os tempos

Bárbara Heliodora


shakespeare_o_que_as_pecas_co_1416330920422682sk1416330920bO autor:
Heliodora Carneiro de Mendonça, ou Bárbara Heliodora, foi professora, ensaísta, tradutora e crítica de teatro, mas sua fama se deu também pela sua especialização e estudos sobre William Shakespeare (arriscaria dizer uma das maiores estudiosas do bardo no Brasil). Nasceu e morreu no Rio de Janeiro.

Sinopse*: No ano em que se celebra os 450 de Shakespeare, Barbara Heliodora, a maior especialista brasileira no assunto, apresenta o melhor de cada uma das 37 obras do dramaturgo inglês. Dessa forma, o livro se afirma como um irresistível convite àqueles que ainda não conhecem a fundo o teatro shakespeariano, assim como para os que já se apaixonaram por esse clássico do teatro universal. Uma nota biográfica abre a edição e cada peça conta com uma sinopse, elenco de principais personagens e seleção de seus melhores trechos.

Resenha: Não sei se há muita coisa pra falar sobre esse livro, que é basicamente um guia das peças de Shakespeare, muito útil por sinal. Ele saiu em 2014, ano de comemoração dos 450 anos do bardo. O adquiri em 2016 e comecei a ler já no fim do ano.

Ele é dividido pelas datas de publicação das peças e pelas fases de escrita de Shakespare como inicio de carreira e maturidade. Cada uma dessas partes vem com uma introdução do momento histórico e de vida do autor, seguindo para as peças daquela fase, que ganham também uma leve introdução. Cada uma das peças é analisada, sendo apresentado o enredo e partes importantes dos textos.

O livro serve como um guia pra entender as peças (sendo você conhecedor ou não), ou pra pesquisas rápidas sobre ela. Muito bom pra consultas rápidas, principalmente se envolvem enredo.

(Sinopse do Skoob)

Carvão Animal

Carvão Animal

Ana Paula Maia


carvao_animal_1303261722bO autor:
Ana Paula carioca, nascida em 1977. Estudou teatro na adolescência. Depois entrou na faculdade de Ciências da Computação e Comunicação Social. Seu primeiro livro foi publicado em 2003. Faz trabalho para o teatro e o cinema.

Sinopse*: O romance conta a história do bombeiro Ernesto Wesley e seu irmão Ronivon, funcionário do crematório da fictícia e cinzenta cidade de Abalurdes. Assombrados por uma tragédia do passado que ao longo da narrativa os persegue, esses dois irmãos que lidam com o fogo, um para combater e o outro para apagar os vestígios da existência física de alguém que morreu, seguem com suas vidas simples e driblam as intempéries de uma cidade que está sempre em chamas.

Resenha: Precisei recuperar o fôlego algumas vezes durante a leitura desse livro. A descrição, o animalismo, o envolvimento… Tudo aqui beira o nosso lado animal, o inferno particular. É uma literatura linda de se ler, cada trecho te leva pro fundo de um balde cheio de água, que quando notamos já não há oxigênio nos pulmões. Apesar da referencia à água, existe muito mais secura na obra do que água. O livro é claustrofóbico.

Um tapa na cada a momento, apesar de a expressão ser bem clichê. Uma crítica social intensa sobre pobreza, simplicidade, trabalho, dores e sobrevivência. Personagens simples, quase animalescos, mas que extraem o humano de cada um de nós. Aquele lugar sem vida, sem cor, sem esperança traz à tona uma solidão dolorida que sentimos a emergência de soltar. A claustrofobia do livro não vem apenas da sua literatura, as personagens também estão presos, sem ar em uma vida dura e com gosto de fuligem.

O livro começa com uma constatação simples e triste: a única coisa que restará de nós são os dentes. Por sinal, dentes e fogo são duas personagens do livro. Carvão Animal vem daí, um derivado dessas duas coisas e que rodeia todo o enredo. Em Abalurdes, por sinal, o carvão é a vida e a morte.

A leitura desse livro faz parte de um objetivo pessoal de ler mais brasileiros contemporâneos. Cheguei até ele por acaso, mas depois do primeiro paragrafo foi difícil largar, e em um ano que tenho focado em outros projetos, foi ótima a sensação de ser presa. O livro não é grande, é uma leitura boa, com associações simples mas de uma intensidade absurda. O livro é pequeno (tem menos de 200 páginas) e com capítulos bem alternados. Fácil e rápido de ler. Aproveita o Natal e pede de presente ou compra pro colega, esse livro sem dúvida vale a pena (um dos melhores desse ano). E apesar de Carvão Animal ser incrível sozinho, ele é parte da trilogia A saga dos brutos. Eu não li os livros anteriores, mas já está na lista de necessitados.

(Sinopse do Skoob)

Claro Enigma

Claro Enigma

Carlos Drummond de Andrade


claro-enigmaO autor:
É considerado por muitos o mais influente poeta brasileiros. Foi mineiro e fez parte do modernismo brasileiro (em sua segunda parte).

Sinopse*: Publicado em 1951, Claro enigma representa um momento especial na obra de Drummond. Com uma dicção mais clássica, o poeta revisita formas que haviam sido abandonadas pelo Modernismo (como o soneto, modalidade que fora motivo de chacota entre as novas gerações literárias), afirma seu amor pela poesia de Dante e Camões e busca uma forma mais difícil, mas sem jamais abandonar o lirismo e a agudeza de sua melhor poesia.
O livro abre com a epígrafe do francês Paul Valéry, “Les evenements m’ennuient” (Os acontecimentos me entediam). Embora eloquente, a citação não corresponde perfeitamente à realidade, pois Drummond não vira completamente as costas para a vida mais pulsante. Pelo contrário: a experiência aparece em cada verso do livro, ainda que escamoteada por uma lírica que não se entrega ao fácil graças a uma visão algo desiludida do tempo e dos homens.
Mas há, claro, espaço para o lirismo do amor, como no célebre poema “Amar”, que começa com os versos: “Que pode uma criatura senão, / entre criaturas, amar?”. A lira romântica de Drummond está bem afinada neste livro, como pode ser comprovado pela leitura de poemas como “Rapto” e “Tarde de maio”. A mineiridade também é lembrada no livro, em poemas vazados pela nostalgia ou que recontam episódios antigos da terra natal do autor.
Claro enigma também conta com “A máquina do mundo” – eleito o melhor poema brasileiro do século XX por um grupo de críticos e especialistas consultados pelo jornal Folha de S.Paulo. Escrito em tercetos, é simultaneamente uma meditação profunda e uma espécie de épica íntima sobre a passagem do tempo e o conhecimento da vida como acontecimento breve e muitas vezes fortuito. Um clássico.

Resenha: Claro Enigma foi o primeiro livro de poemas completo que li. Geralmente quando pegava um ia selecionando, lendo um por vez e quase nunca lia todos. Esse livro também entrou inesperadamente na lista de livros de 2016 por conta dos projetos desse ano, mas foi uma surpresa boa.

A primeira coisa que aprendi com esse livro é que tenho que aprender muito sobre poesia ainda. Elas são complexas, bonitas, intensas, envolventes e surpreendentes. Carregam tanta coisa nas até poucas palavras que trazem pra nós. Patinei um pouco em alguns dos poemas.

Eles foram, inclusive, compostos entre 1940 e 1950. Época em que o mundo era assolado pela Guerra Fria. Tudo era oposição e polaridade. E o contexto é muito forte no livro. Ele é cheio de angustia, assim como, o período foi.  Começa pelo título, Claro e Enigma, um contraponto que carrega em quase todos os poemas. Há no texto uma melancolia, denuncia social e uma busca pela politização do homem, pra poder chegar a sua forma boa. São vários poemas que vão sim te fazem refletir.

Os poemas são divididos em seis partes. Temos também alguns sonetos, e um pouco diferente do que vemos em outros poemas, há uma busca pela forma clássica. É quase uma “deixada de lado” da segunda fase do modernismo. Há homenagens a outros escritores e até familiares do Drummond.

É um livro carregado e com poemas até “pesados”, mas importante pra pensarmos. Há também o poema Maquina do Mundo que em algumas vezes foi considerado o melhor poema brasileiro. Há referencias da maquina do mundo em bastante coisa na literatura; além da maquina do mundo, Drummond trás muita coisa da referencia literária mundial. Só por ser do Drummond já seria suficiente pra ler, mas a recomendação vai também por toda a obra, que é incrível.

(Sinopse do Skoobl)

Mayombe

Mayombe

Pepetela


mayombe-pepetelaO autor:
Arthur Carlos Maurício Pestana dos Santos, nome verdade do Pepetela, nasceu em Benguela em Outubro de 1941. Sua obra reflete a história contemporânea de Angola. É descendente de portugueses, e apesar de ser de classe média, frequentou a escola com crianças de diferentes classes e etnias. Mudou bastante de cidades para estudar, mas sua vida mudou mesmo em 1961, quando se juntou a política e em 1963 militou com o MPLA para a libertação da Angola, o que refletiu diretamente em suas obras.

Sinopse*:  O Mayombe tinha aceitado os golpes dos machados, que nele abriram uma clareira. Clareira invisível do alto, dos aviões que esquadrinhavam a mata, tentando localizar nela a presença dos guerrilheiros. As casa tinham sido levantadas nessa clareira e as árvores, alegremente, formaram uma abóbada de ramos e folhas para as encobrir. Os paus serviram para as paredes. O capim do tecto foi transportado de longe, de perto do Lombe. Um montículo foi lateralmente escavado e tornou-se forno para pão. Os paus mortos das paredes criaram raízes e agarraram-se à terra e as cabanas tornaram-se fortalezas. E os homens, vestidos de verde, tornaram-se verdes como as folhas e castanhos como os troncos colossais.

Resenha: E junto com alguns objetivos pro próximo ano, Mayombe acabou entrando na lista de livros lidos em 2016. Pois bem, não era um livro que eu sequer sabia da existência, mas que fez parte das últimas companhias de leitura.

Mayombe foi escrito por Pepetela. A história se passa em Angola e narra um pouco sobre sua luta pela libertação e independência. Cheio de curiosidade, começando pelo nome do livro, que é referência a floresta do Mayombe, lugar onde a história ocorre, passando pelo nome dos personagens que são referência de suas atividades no movimento até a vivencia e os problemas do MPLA, movimento popular que lutava pela independência de Angola e qual Pepetela realmente fez parte.

O livro em si não tem muita ação, mas sua história e importância deixam um gosto mais doce nele. O livro foi publicado em 1980, 5 anos após a independência de Angola, e apesar da data de publicação, foi escrito durante a participação do Pepetela na guerra de libertação durante a década de 70. Com uma visão de quem está dentro dos movimentos de liberdade, podemos entender um pouco mais do processo de guerra, dos ideais, das desorganizações e principalmente, dos problemas tribais que foram enfrentados.

O livro é composto por diferentes pontos de narração (e narrado em terceira pessoa), e apesar do centro da história acontecer com Sem Medo, não da pra classificar um personagem como principal, eu me arriscaria a dizer que até mesmo a floresta do Mayombe entra como personagem foco da narração. Apesar disso, a única personagem feminina, Ondina, não tem voz narrativa, o que mais uma vez nos mostra os problemas que a sociedade angolana passava com a discriminação de gênero também.

O pouco que temos de ação de fato acontece no final, com uma paixão, algumas noites de amor e de luta e uma disputa com os Tugas (como os guerrilheiros chamam os portugueses).

Apesar da pouca ação o livro trás consigo uma história importante, e que é bastante mal explorada no Brasil: a história africana. Ressaltando que a Angola foi um dos países que mais mandou escravos para o Brasil, então, estamos diretamente relacionados com aquela cultura, essência e as pessoas de lá. Além disso, optei por ler o livro sem a adaptação pro português brasileiro, não é complicado e a experiência foi ótima.

(Sinopse do Skoob)

Macbeth

Macbeth

William Shakespeare

Macbeth_Cosac_naifyO autor: Nascido em abril do ano de 1564 (morto em 1616 no mesmo mês). Ator, dramaturgo e poeta, ele é tido como o maior escritor do idioma inglês e o dramaturgo mais influente do mundo. Shakespeare nasceu na cidade inglesa de Stratford-Upon-Avon, situada no condado de Warwickshire, ao sul de Birmingham.

Sinopse*: Esta edição promove o encontro de três poetas – Bandeira, Shakespeare e Auden. Manuel Bandeira também foi tradutor, especialmente de peças de teatro, como ‘O círculo de giz caucasiano’ de Brecht e ‘Maria Stuart’ de Schiller. O casal de vilões Macbeth e Lady Macbeth, que sujam as mãos de sangue para chegar ao trono da Escócia, foi encarnado por atores do cinema e teatro do século XX – Sarah Bernhardt, John Gielgud, Lawrence Olivier, Jean Vilar, Paulo Autran e Tônia Carrero, entre outros reunidos na seleção iconográfica.

Resenha: O livro em si é um dos mais famosos (uma das peças mais famosas e encenadas) de Shakespeare, que envolve a ambição e tormenta do poder, até onde o homem vai para conquistá-la? Macbeth é envolvido com os desejos de ser grande, baseados no que três bruxas “profetizam” para ele: ser rei. Sua esposa, Lady Macbeth também é diretamente envolvida, e em diferentes análises considerada a realmente “Má” da história: influência seu marido e planeja sua grande vitória.

Macbeth estava em luta, ao lado do amigo Banquo. Encontram três bruxas que fazem diferentes profecias pra ambos: Macbeth seria nomeado Tane de Glamis e Rei da Escócia e Banquo seria pai de uma linhagem de reis.

Horas depois da profecia, Macbeth é nomeado Tane de Glamis, visto que o antigo traiu o rei, e Macbeth se mostrou honrado ao posto. Fissurado nesse destino que as bruxas falaram, volta para seu reinado e junto com a esposa, planejam a morte do Rei.

Depois de conquistar o reinado tão desejado, a vitória não veio tão alegre, pelo contrário. Mais mortes foram necessárias (inclusive do amigo Banquo) e a obsessão de Macbeth o faz parecer louco. Lady Macbeth começa também a adoecer e enlouquecer. Mais guerras foram necessárias e até uma ajuda da Inglaterra se fez presente para devolver o reinado a quem é de direito.

Grande parte do elenco morre na peça, por isso é considerada uma das mais sangrentas do bardo. Apesar de não ser a mais “complexa”, há grandes análises psicológicas feitas e muito ao que se estudar sobre o mundo de Macbeth.

Referente à tradução, particularmente gostei bastante. Manuel Bandeira manteve muita coisa do “original” e adaptou muito bem, trazendo uma versão ainda mais poética. A edição trás imagens das adaptações, reflexões e textos muito bons para acompanhar e analisar a obra. Uma edição bem bonita, que foi feita pela finada editora Cosac Naify.

(Sinopse do Skoob)