Somos todos feministas

Somos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Um livro pequeno e tão grande em nobreza e pontos e esclarecimento. Li em uma hora e meia, mas assim que fechei ele respirei fundo e pensei “que bom que temos pessoas como a Chimamanda”.

Uma mulher incrível, nigeriana e contemporânea. Esse livro é na verdade uma palestra que deu (e se bem me lembro num TED), e conta um pouco da sua vida e da situações de trauma que a fizeram entender como as mulheres eram “seres inferiores”, como eram menosprezadas e como todo esforço de uma mulher precisa ser o dobro para ser reconhecido. A partir daí ela conta sobre situações de discriminação de gênero e pequenos detalhes que são presentes no dia a dia e provam isso. Então explica o porquê que devemos todos sermos feministas e urgentemente batalharmos pela igualdade entre gêneros.

Não é bem um livro literário, mas é um livro necessário para nós em dias como hoje. Recomendadíssimo a leitura.

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Léxico Familiar

Léxico Familiar – Natalia Ginzburg

Léxico familiar nos conta um pouco da história de Natalia e sua família, os Levi. Adentramos a sua casa, conhecemos sua família, os amigos, as falhas, os problemas e as pequenas alegrias que circundam essa família italiana. Suas lembranças são expostas e transportam-se no decorrer dos anos indo até o pós-guerra, conta das suas lembranças que se fragmentam perante os regimes totalitários e expõe os pormenores de uma família que precisa lutar e se libertar dos regimes opressores.

Os Levi não ficam em um único lugar no país, com um pai professor universitário e amante das montanhas, passam a infância ouvindo a mãe reclamar das mudanças e das distancias. Letrados, judeus (exceto a mãe, que é a única não-judia que a avó de Natalia aceitou com tal condição) e apoiadores da esquerda,os Levi nos deixam conhecer diferentes figuras importantes para a história e que fizeram parte do fluxo familiar e da vida de Natalia.

Minimalista, como é classificado por tantos, mas de um envolvimento absurdo, nas primeiras páginas já somos parte dessa família de cinco filhos, do qual Natalia é a mais nova e de pais tão singulares e aparentemente opostos. No decorrer do crescimento e o passar dos anos vamos chegando aos detalhes desse dia a dia: jantares, vizinhos, avó, viagens às montanhas, os ódios, amores, a mãe que esconde o quanto gasta, o pai que reclama e grita demais… A religião fica de certa forma ausente, mas a política é um fator importantíssimo que permeia pela família e a história toda. De Natalia só começamos a ver detalhes mais pro fim, o que deixa o livro distante de uma autobiografia.

A mágica do livro começa no título: Léxico. Nos estudos, o Léxico é o dicionário, o conjunto de vocábulos de uma língua. Mas aqui é o Léxico, um léxico familiar. Um livro tão singular como Natalia, que se casou com Leon Ginzburg, um judeu russo exilado, foi a primeira tradutora de Proust em Italiano, foi uma poderosa editora (que trabalhou inclusive com Italo Calvino) e que nunca abandonou sua posição política que foi formada em si desde pequena em uma família ligada ao movimento da esquerda e o comunismo.

É um livro de narrativa musical, de leitura leve apesar de o conteúdo, em muitas vezes, ser carregado.

A invenção de Morel

A invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares

Um livro de 1940 quase nunca é tão fácil de descrever, um como A Invenção de Morel, parte essencial da literatura argentina, aclamado e obra mais conhecida de Bioy torna o processo ainda mais complicado. Um livro que carrega consigo a dificuldade de entendimento, uma quase surrealidade e uma responsabilidade grande foi um desafio maravilhoso e que entrou em minha vida para ser parte fundamental do meu desenvolvimento.

Um grande paradoxo. Difícil de entender, de engolir, descer. Apesar das poucas páginas -pouco mais de cem- somos inundados por uma maré de informações, fatos e angustias dentro do livro. Se você assistiu Dark (a série alemã) ou alguns episódios de Black Mirror vai conseguir fazer analogias e ligações claustrofóbicas do labirinto que o livro te leva. Se não assistiu, não tem qualquer problema. O labirinto é o mesmo, aquele que questiona nossa fragilidade perante o mundo e as nossas certezas.

A história é feita em -quase- em um formato de diário, parece mais um caderno de relatos para um futuro. Nele o narrador conta sobre sua chegada na ilha, um fugitivo da justiça venezuelana condenado à prisão perpétua que busca manter sua liberdade e para isso escolhe se prender em uma ilha aparentemente deserta. Os primeiros dias no lugar ele passa sozinho reconhecendo o campo, o lugar e as possibilidades, mas quando menos se imagina surgem pessoas. Se alimentando de raízes, cansado e já um pouco fora de si, ele está certo de que vieram captura-lo e fica confuso sobre como elas chegaram até ali, ele passa a observa-las e a tentar entender quem são. Uma dessas pessoas, Faustine, se torna a paixão daquele solitário homem, que buscando fugir da prisão prende-se a uma ilha vazia e desconhecida. A aproximação é lenta, ocorrida por fatos estranhos que vão percorrendo a história, inexplicáveis situações aparecendo e nos questionamos o que daquilo é loucura e o que é verdade.

A aproximação finaliza com a descoberta da invenção de Morel, uma máquina imortalizadora. Começa um segundo processo, de entender o funcionamento, de se fazer parte daquilo. Se eu contar mais, vou acabar contando o livro todo, então paro por aqui.

Envolto por questionamentos atuais que mexem com nossos conceitos, esse pequeno grande livro merece a leitura. Não uma, inclusive, apesar de não parece, ele tem uma complexidade rica. Já começa com um prefácio de Borges e traz pra nós uma qualidade absurda da literatura argentina.

O autor: Argentino, morto em 1999, é conhecido por sua narrativa em mundos fantasmagóricos, de uma lógico peculiar e marcado por um realismo verossimilhante. Foi um grande amigo de Borges e é parte essencial da literatura argentina.

Pauliceia Desvairada

Pauliceia Desvairada

Mario de Andrade

A autora: Mario de Andrade é um autor brasileiro, foi um dos pioneiros na literatura modernista e uma grande referência (inclusive, muito estudado nos vestibulares).Nasceu em São Paulo em 1893 e morreu, na mesma cidade, no ano de 1945.

Resenha: Comecei a recomendação de livros pra faculdade desse semestre ainda nas férias. Pauliceia comecei a ler -quase que propositalmente, mas embalado por uma certa coincidência- no dia 25 de Janeiro, aniversário da cidade de São Paulo. Apesar de já ter visto vagamente o livro e o tema na escola, depois de anos fora, precisei dar uma recuperada. Pauliceia foi publicada em 1922, semana de arte moderna e que mudou os padrões a visão brasileira de arte. Mario de Andrade rompeu radicalmente com suas obras anteriores e nessa faz uma analise da cidade e da sociedade paulistana. A cidade começava um processo intenso de industrialização, deixando de lado a vida rural. O cenário é descrito por Mario em seus poemas, descrevendo pessoas, lugares e o movimento que a cidade passava. Além da questão social e crítica dos poemas, ressalto a mudança estética e estrutural da forma poética (e na época de grandes vertentes da arte). Um dos poemas mais conhecidos é Ode ao Burgues.

Eu recomendo a leitura para todos. É um livro de rompimento histórico e social, porém, se você é de São Paulo (ou conhece/mora na cidade), vai ter um encanto diferente por cada um dos poemas. São uma delícia de ler e ainda tem um prefácio maravilhoso cheio de pensamentos e de explicações. Como é pra faculdade a leitura, com certeza precisarei reler e terei novas analises pra compartilhar!

A filha perdida

A filha perdida

Elena Ferrante

A autora: Elena Ferrante é um pseudônimo e foi usado para preservar o anonimato de quem estava por trás do nome, porém, um jornalista chegou a conclusão que Elena é na verdade Anita Raja, uma tradutora. Ela é casada com Domenico Starnone. Italianos contemporâneos.

Sinopse*:“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.
No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.

Resenha: A filha perdida é repleta de conflitos atuais: a visão real da maternidade, abandono, direitos, vontades. Te faz pensar nos pequenos detalhes, recordar seu passado e meditar sobre o futuro. Muitos pontos importantes de visões atuais são postos à prova depois de ler esse livro. Quando comecei a ler Ferrante foi mais pelo fato de começar a me envolver com literatura italiana, já que minha habilitação na faculdade vem logo aí. Queria também algo contemporâneo do país e me animei bastante com o livro.

Em termos de roteiro e desenvolver da história não temos muitas surpresas, e nem acho que precisava depois do murro que a gente leva com o livro. Nenhuma grande distorção ou mudança nos acontecimentos ao longo da história. No livro conhecemos Leda, uma mulher que se vê livre, já que as filhas (jovem-adultas) foram morar com o pai no Canadá, decide sair de férias e vai aproveitar dias tranquilos na praia. Lá observa uma família bastante expressiva que lembra inclusive sua própria família, mas o destaque de suas observações fica em uma jovem mãe e sua filha que brincam felizes com uma boneca velha, que percorre toda uma frente importante da narrativa e se torna um objeto essencial pro desenrolar da história, mas principalmente, pras aceitações e confissões de Elena.

Elena narra com uma honestidade que te leva a um choque de realidade tão simples e tão presente nas nossas vidas que é até assustador. No fim do livro você fica com o gosto amargo daquelas verdades que ela expõe sem medo ali. Vemos a realidade dura dos sentimentos não expostos da maternidade, aquela dor e raiva que toda mãe deve sentir e aqueles julgamentos tão presentes na sociedade em relação ao parto e a mulher batem na nossa cara. Eu fiquei durante o livro todo numa mistura de entendimento, compartilhamento, medo e realidade perante meus próprios sentimentos e vivencia. Creio que se você é mulher esses sentimentos são mais fortes ainda.

Com uma mistura de presente e lembranças, o livro é um verdadeiro reflexo de verdades e realidade. Eu amei a leitura e vou com certeza ler mais livros dela.

* (sinopse do Skoob)

O carteiro e o poeta

O carteiro e o poeta

Antonio Skármeta

O autor: Skármeta, assim como eu, nasceu em um 7 de novembro. Ele é do ano de 1940. É um escritor Chileno e ganhou diversos prêmios na literatura.

Sinopse*: Sucesso também no cinema, esta novela tem como cenário o refúgio de Pablo Neruda em Ilha Negra, no Chile. Narra a amizade do carteiro Mario Jiménez com o poeta, e como nasce a admiração pelas poesias e a cumplicidade entre os dois, até a morte de Neruda.

Resenha: E 2018 começou repleto de leitura, né? Terceira que eu trago pro blog esse mês e estou muito feliz com isso!  Já fazia muito tempo que eu queria ler esse livro e tomei coragem agora nessas férias. Cheio de poesia e com uma leitura bem fluída, chegamos a vida do carteiro que aos 17 anos consegue o emprego de carteiro (algo que ninguém queria) e se deslumbra com a possibilidade de poder conhecer Neruda (seu vizinho).

Começa em um trabalho de entrega de carta, mas além de se conhecerem, vai fluindo pra uma amizade que Mario – o carteiro- leva para a vida toda. Amizade essa que começa com o pedido de Mario para aprender a fazer metáforas no objetivo de conquistar uma moça. Vemos essa amizade inclusive transformar Mario de outras maneiras, acompanhamos sua evolução pessoal e intelectual ao longo da narrativa. Anos dessa vivência são contados e o envolvimento do poeta -além da história dele também- fazerem parte do todo.

No livro da pra se entender também um pouco da questão política no Chile e como a influência dessa política transforma o local, seus moradores e o próprio poeta. O próprio Neruda é parte dessa política que leva o poeta a ser um possível candidato à presidência do país e transcorre até o momento que ele é cercado dos tanques de exército.

É um livro pequeno, de leitura gostosa e com uma prosa muito bonita. Recomendado!

* (sinopse do Skoob)

Por que fazemos o que fazemos?

Por que fazemos o que fazemos?

Mario Sergio Cortella

O autor: Cortella é escritor, professor, educador e palestrando brasileiro, hoje sua fama vem principalmente da sua participação em programas e discussões sociais ligadas à filosofia contemporânea.

Sinopse*: Dividido em vinte capítulos, ele aborda questões como a importância de ter uma vida com propósito, a motivação em tempos difíceis, os valores e a lealdade – a si e ao seu emprego. O livro é um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira mas vive se questionando sobre o presente e o futuro.

Resenha: Um pouco diferente do que costumo ler, esse livro foi um presente de amigo secreto. Li rapidinho (em 2 dias) e resolvi trazer um pouco dele aqui também, afinal, é uma das leituras do ano. Começamos bem esse 2018 né?

Indo ao livro, Cortella traz aqui alguns temas referente ao trabalho e a felicidade. No meu atual momento profissional, foi ótimo ler o livro pra ter um direcional sobre: é o que quero? eu gosto do que faço? por que eu faço? qual meu propósito?

A partir daí, comecei a me questionar em alguns pontos, tentando entender onde quero chegar e até onde quero chegar. No livro também, entendemos até que ponto estamos sendo bons funcionários motivados e até onde somos trouxas. Não é só uma questão de motivação pessoal, mas as empresas também precisam entregar algo além de um salário em troca do nosso tempo. É uma via de duas mãos.

Se você se questiona sobre sua vida profissional, sobre sua empresa, sobre sua dúvida em relação ao que quer ou não, esse livro é super indicado. Inclusive se você tiver em um momento de angustia ou se questionando sobre sua capacidade e motivação.

 

(Sinopse do Skoob)

Neve

Neve

Orhan Pamuk

O autor: Pamuk é um escritor e professor de literatura na Universidade Columbia. Nasceu em Istambul em 1952. Ele venceu o Nobel de Literatura em 2006, o primeiro turco a conseguir o prêmio.

Sinopse*: Neve conta a história de Ka, poeta exilado na Alemanha, que viaja a uma pequena cidade turca sob o pretexto de investigar a onda de suicídios entre jovens muçulmanas que assola o vilarejo. Durante essa visita, uma nevasca bloqueia todas as estradas, insulando a cidade do resto do mundo. É nesse clima de isolamento que um veterano ator e sua mulher aproveitam para liderar um golpe militar. Embora tenha se distanciado da política há muitos anos, Ka é alçado a protagonista involuntário dessa revolução. Nada menos apropriado para um escritor cujos desejos são apenas registrar as poesias que lhe escapam há anos, mas que agora passam a fluir com extrema naturalidade, e se casar com Ìpek, antiga colega de escola. Mas o turbilhão provocado pelo golpe traz à tona a truculência das forças de segurança, antigos ajustes de contas e o radicalismo de alguns militantes islâmicos. Enquanto Ka tenta se equilibrar entre as diversas facções em choque, vê a cidade se tornar um microcosmo dos conflitos raciais, políticos e étnicos da Turquia, além de palco da sua tragédia pessoal.

Resenha: Neve foi o primeiro livro terminado de 2018, foi quase um ano entre começar e continuar sua leitura. Me interessei pelo livro/autor depois de em uma oficina de criação literatura eu descobrir o livro O Romancista Ingenuo e o Sentimental, e depois rever o livro na faculdade de Letras. Pois bem, depois de me encantar um pouco com a escrita e a maneira de ensinar escrita e literatura do Pamuk, corri para ler Neve, mas confesso tristemente, que foi uma pequena decepção. O livro não é de todo ruim, mas talvez minhas expectativas fossem altas demais.

O romance conta a história de Ka, um poeta turco exilado na Alemanha. Ele volta à Istambul devido a morte da mãe e aproveita para ir à Kars, sua cidade natal, para investigar -de maneira jornalistica- os suicídio por jovens muçulmanas. Assim que chega, Ka fica preso na cidade pois a neve bloqueia as estradas. Após começar sua investigação, Ka descobre que a questão do suicídio e a religião está muito mais profunda do que podia imaginar. O livro nos dá uma pequena aula sobre a religião num país que nem sempre temos acesso. São quase 500 páginas entre uma disputa de crenças e a discussão sobre mulheres cobrirem ou não suas cabeças. Há até mesmo um golpe militar na cidade. A neve é algo tão presente na cidade que sentimos o frio e o gelo que acoberta Kars e as pessoas. Até quem nunca viu neve, pode ter a sensação pela narrativa. Durante sua estadia na cidade, Ka volta a escrever poemas, coisa que não fazia há algum tempo, ele retoma suas origens e crenças.

Por fim, Ka também descobre o amor de Ipek, o que o ajuda na questão da escrita, porém, ela e a irmã estão envolvidas com a questão religiosa e política de uma intensa e acima do que ele poderia imaginar.

Apesar de toda a complexidade da história, a narrativa envolvente e o assunto de interesse, talvez as 500 páginas de livro tenham sido um exagero, e me fez chegar ao fim da leitura cansada e querendo que o livro acabasse logo.

Recomendo a leitura, pois o livro é bom, fala das complexidades de ser turco e a distancia com o ocidente, mas minha experiência com ele não foi das melhores.

(Sinopse do Skoob)

O Morro dos Ventos Uivantes

O morro dos ventos uivantes.

Emily Brönte


O autor:
 Inglesa, Emily Brönte viveu de 1818 a 1848. Dentre as irmãs Brönte ela é a que se tem menos informações, e de acordo com a própria irmã era uma pessoa reclusa.

Sinopse*: Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy.

O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.

Resenha: O Morro Dos Ventos Uivantes foi um dos romances que li esse ano para fazer uma análise pra faculdade. Depois de um ano nessa luta por absorver e crescer literariamente, o romance foi parte de um trabalho de análise do qual precisei desenvolver esses conhecimentos. E a principal parte de fazer esse trabalho veio na maneira diferente de ler o livro, que depois de muito estudo pude entender. Eu já havia lido o livro há alguns bons anos, e pra mim, nada era muito novo na história e ela em si nem tinha nada demais. Porém, após entender um pouco mais de teoria e crítica literária, ler os textos de apoio e ter uma ajuda do professor, eu vi e reli um romance totalmente novo par mim. Essa resenha se torna especial por causa disso também. Cuidado que tem muitos spoilers a partir de agora.

O livro conta a história de dois lugares e seus moradores, no interior da Inglaterra, o Morro dos Ventos Uivantes e a Granja Thrushcross. A história é inclusive dividida, em tese, em duas partes. Na primeira, temos foco direcionado para a história de amizade e amor de Catherine e Heathcliff. Na segunda, temos alguns desenrolares da história e de certa maneira a finalização de um ciclo intenso. De uma estrutura cronológica linear na contagem da história e principalmente mais pro fim a segunda parte, a história é composta também por outras histórias, que seguem uma cronologia passada, mas linear. Já a narração pode ser comparada a uma caixa e a um jogo parecido com Matrioskas, a cada abertura uma nova narrativa e uma nova história dentro de cada narração. O ponto de vista é principalmente a visão de Nelly, uma das empregadas, então, sempre duvidosa uma vez que é sua opinião em centro. Apesar da inicial simplicidade, a história vem cheia de uma complexidade não só narrativa, mas psicológica. Ela conta a história do que aconteceu nas casas para um inquilino que chega à Granja. Parte da narrativa também é contada por ele.

No Morro, a família Earnshaw recebe -vindo com o pai- uma criança sem família e desemparada vinda de uma cidade portuária. Essa chegada mexe diretamente com a família que vivia até então bem. Os filhos não aceitam o rapaz, a esposa fica revoltada e os empregados ficam sem entender muito bem o papel daquele menino que chegava.  Heathcliff chega para mudar completamente a história daquela família. As coisas se acertam de certa maneira com o decorrer dos dias e a filha mais nova, Catherine, passa a ter uma amizade muito forte com o irmão adotivo. Já o irmão mais velho deixa claro que não o aceita de maneira alguma e inclusive mal trata o garoto. No decorrer das semanas a mãe falece e algum tempo depois o pai também. Com isso, Hindley, o irmão mais velho, assume a direção da casa. A vida de Heathcliff, que apesar de tudo já não era fácil, passa a ser pior. Em uma noite, fugindo do irmão, Heathcliff e Catherine chegam a Granja, a menina é mordida por um cachorro e precisa ficar na casa dos vizinhos. Ao voltar, está mudada. A Granja, casa que representa a calmaria e o “padrão” familiar, molda a menina de uma maneira única, a molecagem da garota ficou no Morro, local de caos e indisciplina. Sua volta é marcada por uma aproximação dos Linton, os moradores da Granja, e essa proximidade gera o segundo ponto de grande impacto na história: Catherine, ou Cathy, é pedida em casamento por Edgar, o primogênito dos Linton. Buscando uma espécie de salvação para Heathcliff pelo dinheiro da família Linton, em um dos diálogos mais enigmáticos da literatura (talvez um dos mais estudados), ela conta a empregada sobre o pedido e a aceitação, para salvar o amigo, que estava no canto ouvindo. Heathcliff foge após ouvir a declaração. Anos se passam e nesse meio tempo Cathy e Edgar casam e Hindley vai se afundando cada vez mais em dívidas e em bebidas. Nesse momento do romance, a Granja se torna ainda mais forte o lugar da boa convivência e das tradições, com a família composta por Cathy, Edgar e Isabela, irmã de Edgar. Enquanto no Morro só restam Hindley, seu filho e um empregado. Heathcliff volta rico, disposto a vingar-se de toda a humilhação que passou. Compra o Morro, faz de Hareton, filho de Hindley, uma espécie de empregado, ajuda no processo de adoecimento de Cathy ao brigar com Edgar e casa-se com a Isabela.

O livro, por si só, já trás personagens de grande impacto social e psicológico. Cathy e Heathcliff são um casal formado não é por circunstancias não aceitas socialmente –no período-, mas ultrapassam até mesmo a morte e invadem o imaginário local. Heahtcliff é um garoto que sofre os diferentes tipos de perturbações sociais, não possuí uma origem certa e vive a humilhação social de sua condição. As casas também são personagens importantes, símbolos de caos e calmaria, elas são essenciais para pontuar os momentos e a história.

O fim é também conturbado, apesar da aparente resolução de problemas. Inicialmente, um lado pode ser escolhido e a aparente paz estabelecida, mas o ponto é questionável.

Por fim, há elementos essenciais na história que nos trazem interpretações diversas, desde a psicologia ao social. O que meu professor pontuou em sala, e que me fez ler o livro de uma percepção diferente é a Janela. Há uma sempre envolvendo o relacionamento e a presença de Cathy e Heathcliff. Essa janela representa essa divisão entre eles. Quando Cathy aceita o pedido de casamento de Hindley a janela é fechada em um dia quente, porém quando Heathcliff volta, a janela é aberta em um da de neve e frio. Cathy morre em direção à janela, Heathcliff também. Depois de ver isso, passei inclusive a contar às janelas que apareciam na história. Mas esse ponto merece um aprofundamento.

Há ainda uma ligação importante sobre o momento histórico inglês, o fim do gótico e a passagem para o realismo, que pode também ser parte de uma leitura. Além é claro, da história da própria Emily.

Os textos de apoio que usamos para a leitura do romance, e esse aprofundamento na leitura, foi um do Terry Eagleton chamado The Bröntes, um da Sandra Gilbert e Susan Gubar chamado Looking Oppositely: Emily Brontë Bible Of Hell. Também tivemos alguns textos teóricos de estrutura de romance como Temática do Tomachévski e o Século Sério do Franco Moretti.

Recomendadíssima a leitura e inclusive a re-leitura, caso você tenha tido a mesma impressão que eu na primeira. Entrou na lista de livros favoritos. O Morro dos Ventos Uivantes é muito mais do que apenas uma história de um amor sem limites.

 

Odisseia

Odisseia

Homero


O autor:
 Homero foi um poeta da Grécia antiga. Foi o criador das histórias Ilíada e Odisseia. Há diversas teorias sobre ele, e muitos estudiosos contemporâneos não acreditam na sua existência, mas resumidamente, Homero era um aedo (um artista da Grécia que cantava os épicos) e era um poeta cego. No século VIII a.C. houve um registro desses poemas épicos por alguém chamado Homero, e no século VII a.C. ele já era conhecido e havia muito questionamento sobre ele, mas foi no século VI a.C. que uma primeira edição foi feita, e em festas anuais era lido. Por fim, no século III a.C. chega a Biblioteca de Alexandria os possíveis originais que foram editados pelos bibliotecários. Se lemos o Homero original? Não, pelo fato de toda a transformação que um poema oral do século VIII a.C. sofreu, mas há registros de um aedo chamado Homero.

Sinopse*: “Odisseia” é uma narração que nos leva à Grécia de 3.000 anos atrás.Uma fantástica historia de aventura, onde Ulisses, rei da ilha de Ítaca, sai a combate na guerra de Tróia e luta ao lado do poderoso Aquiles.
Todos voltam para o seus lares depois da guerra, mas os deuses assim não quiseram para Ulisses, que então passa a vagar vinte anos pelos mares da Grécia.
Em sua longa viagem, ele se depara com monstros, sereias, feiticeiros e deuses que assumem a forma humana.
Durante esses vintes anos longe de Ítaca, a sua querida esposa Penélope sofre pelo seu marido e somente sobrevive por causa de seu filho Telêmaco e pela esperança de que Ulisses um dia volte e se vingue de todos os pretendentes de sua mão e que constantemente maquinam o assassinato de Telêmaco antes que esse assuma o trono.
Ajudado pela deusa Palas Atena ,filha de Zeus, Ulisses volta para o seu lar na forma de um mendigo, ninguém desconfia que tal mendigo seja Ulisses e passam a tratá-lo mal.
Com a ajuda da deusa Atena e de seu filho Telêmaco, Ulisses mata a todos os devoradores de sua casa e também aos servos infiéis.

Resenha: Odisseia foi meu favorito entre as épicas gregas. Aqui é narrado a história do retorno de Odisseu (ou Ulisses) pra casa, a ilha de Itaca.

Odisseu também luta na guerra de Troia e é ele, inclusive, que tem a ideia de montar o cavalo de Troia para conseguir adentras aos muros da cidade. Odisseu era astuto, o inteligente o polytropos. Ele foi um herói de palavra, e diferente de Aquiles (em Ilíada) ele foi pra guerra e voltou pra casa. Sabia se esquivar e andava praticamente as escondidas. Ele demora 20 anos pra retornar e nesse caminho passa por diferentes aventuras, inclusive, muitas delas ainda retratadas na literatura ocidental, como quando ele é amarrado no barco para ouvir o canto das sereias e não ser levado pelo encanto delas.

Ulisses também não queria ir pra guerra e se finge de doido, tentando se esquivar de Agamenon e Menelau, mas é descoberto e vai, mesmo contra vontade. Odisseu, apesar de contrariado é o grande herói que consegue a proeza de chegar a Troia e ajudar na derrota do inimigo. Para ir à guerra ele deixa o filho a esposa Penélope.

É na Odisseia que descobrimos também sobre a morte de Aquiles, que na Ilíada não é narrada. Odisseu vai a terra dos mortos em um dos cantos e lá conversa com a alma de Aquiles.

Mas a importância da Odisseia é única. Sua escrita foi imitada por outras diferentes clássicas escritas (Eneida, Os Lusiadas, entre outras, e é aqui também que “começa” a teoria sobre a maquina do mundo). A sequencia do retorno, começando com a tempestade que tem que enfrentar por ter matado um Ciclope e gerado a raiva de Poseidon é uma cena imitada inúmeras vezes e de fundamental importância pra literatura ocidental. Apesar de seu retorno ter sido lendo por vontade dos deuses, Odisseu também tem a ajuda de vários deles, e outras criaturas misticas, para seu retorno.

Assim como Ilíada, a Odisseia é uma obra que precisa ser estudada a fundo. A muito na obra que precisa ser detalhado e visto com cuidado. Mas é recomendadíssimo, eu adorei ler e quero depois reler, pra tentar absorver ainda mais da leitura depois de tudo o que aprendi na aula. Pra quem quiser ler, as edições que recomendo são da tradução do Frederico Lourenço ou do Christian Werner (disseram que essa tradução é “difícil”, mas apesar das palavras por vezes não-comuns, não é tão difícil não).

(Sinopse do Skoobl)