Macunaíma

Macunaíma – Mario de Andrade

Macunaíma é um livro essencial pra nós, brasileiros. Alvo das temidas provas de vestibular, pude agora entender um pouco mais da sua importância social e nacional. Eu não tinha essa ideia até ler e estudar um pouco a mais dele e do Mario de Andrade. Mas não se engane, não é um livro fácil de ler ou que de primeira já seja possível captar toda a essência dele, na verdade é bem difícil de adentrar ao clima e ao contexto do livro. Por vezes eu me sentia cansada da leitura, mas no fim é um esforço que vale.

A rapsódia foi escrita em seis dias em um período de férias em 1926, editada no ano seguinte foi publicada em 1928. Momento importante para o Modernismo que caminhava para a sua segunda fase. O livro traz de certa maneira uma catalogação de tudo o que Mario pode capturar do Brasil nos anos anteriores à publicação, no euforismo daquele primeiro modernismo e a busca por entender o caráter e a identidade nacional fez de Mario um grande estudioso da cultura popular brasileira, ele viajou pelo país captando cantigas e histórias dos povos que àquela altura eram quase esquecidos por uma sociedade e um Brasil que entrava no modernismo e no progresso que as cidades e as inovações europeias nos traziam.

A classificação de rapsódia foi dada pelo próprio Mario, uma vez que o livro não se enquadrava em nenhuma outra categoria. Rapsódia ainda é atrelada a música, e desde a Grécia, aonde era o processo de decorar e proclamar a fragmentação de poemas. A fragmentação tem ainda uma associação direta a um tema presente em Mario. Sobre o tema da música no livro, a Gilda de Mello e Souza tem um livro chamado O tupi e o alaúde que nos mostra a associação da música à obra. Vale lembrar que Mario era músico e foi responsável por muita coisa relacionada à arte no período.

Macunaíma é o herói sem caráter nenhum, e já se engana quem começa o livro achando que caráter tem relação com os valores sociais. O caráter aqui é relacionado a característica, ao enquadramento em um país que buscava ainda entender sua própria característica como nação. Pois bem, Macunaíma é um índio e negro, o que em tese une duas frentes de sociedades bastante oprimidas no Brasil, os negros e os índios. É o herói do povo brasileiro. Nascido no norte, o menino só começou a falar depois dos 6 anos, morava com a mãe e os irmãos em uma tribo indígena, era totalmente dependente deles e desde o início já traz a preguiça como característica marcante. Preguiça essa que vai com ele por todo o livro. Ressaltando que esse sentimento não se relaciona diretamente com a vagabundagem, mas está relacionado ao ócio e tem uma crítica diretamente os novos meios de produção e negócios.

Por um descuido a mãe de Macunaíma morre. Na jornada o herói encontra um amor, se torna rei e ganha um tesouro importante: a muiraquitã. Esse tesouro é perdido no meio do caminho e ele vai em busca de recupera-lo. Recheado de episódios que giram em torno dessa busca, Macunaíma e os irmãos percorrem um caminho longo até chegar na cidade. Lá eles encontram o progresso, e tudo se torna uma máquina, automático, diferente daquilo tudo que eles conheciam e vivam antes. Macunaíma segue a busca pela muiraquitã que está com Visceslau Pietro Pietra, o gigante. Faz tudo o que pode, engana todos, engana o gigante e vai atrás desse objeto tão precioso. Em sua busca faz inclusive um acordo com Vei, a Sol, que encontra por mais de uma vez na narrativa. Depois retorna a casa, mas o retorno termina com seu encontro com a Iara (Uiara), a serei mitológica, e ele se transforma em constelação.

O herói é dominando no livro todo por um desejo sexual aflorado, brinca – como chama o ato em si – com diferentes mulheres no decorrer da história. O prazer carnal é característico direto de Macunaíma. Ele é também um alguém muito esperto, prega peças em todos e sai-se bem de qualquer situação.

Podemos considerar que o livro é dividido em duas grandes partes, a primeira do rural, do otimismo, das origens, do primitivo e a segunda da cidade, da fome, do progresso e a distância das raízes. Essa divisão nos mostra já um Mario, que diferente daquele que escreve Pauliceia Desvairada, chega agora a uma nova fase e o otimismo começa a se esvair e a melancolia começa a tomar conta, uma relação direta com o percurso que os intelectuais tomavam no conhecimento daquele Brasil. A divisão do livro nos mostra também os dois pontos extremos em que o próprio Macunaíma adentra, relacionado no início ao positivismo, as raízes brasileiras e ao primitivismo. A segunda parte adentra a melancolia, ao progresso, a cidade que se criava. Uma co-relação direta também ao capitalismo, que num país recém saído da República e liberto seus escravos havia em seu início um gosto doce que aos poucos vai se amargando com a realidade que o toma.

O livro é repleto da linguagem popular, dos ditos e das criações desses ditos populares. Linguisticamente é um livro rico em detalhes do oral. É o popular pra elite. Mas confesso que adorava ver as lendas, as invenções do Mario e principalmente essa riqueza linguística do populário e das raízes sociais brasileiras. É também cheio do mítico, das lendas indígenas e de origem, o livro é cheio do maravilhoso. Há o mito e o real se propondo ao primitivo e o progresso.

No fim do livro o herói se torna constelação. Ursa Maior.

Mario não nos traz nessa rapsódia a história do Brasil, ou até qualquer definição do que seja o brasileiro. Mas nos traz um Brasil no seu mais interior, nas suas lendas e origens. Afastado daquele europeu que trazia pro Brasil o novo e o “de fora”.

Há muito sobre o livro e sobre Mario que ainda preciso explorar, mas essa pequena resenha é quase como uma catalogação próprio do início dos meus estudos sobre o modernismo de Mario, quero ainda aprender e entender muito além disso.


A autora: Selva é uma escritora contemporânea argentina. Nasceu em abril de 1973 na cidade de Entre Rios. Um dos principais nomes femininos da literatura argentina atual.

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Garotas Mortas

Garotas Mortas – Selva Almada

Garotas mortas é um livro de não ficção, mas durante toda a leitura a gente até deseja que seja ficção. Selva Almada traz um livro importante para um assunto atual e que ainda precisa de muita atenção e discussão: o feminicidio. O livro descreve o assassinato de Andrea Dunni, Maria Luísa Quevedo e Sarita Mundin, todos ocorridos em cidades interioranas nos anos 1980 momento da redemocratização argentina. Todos acometidos por um mesmo motivo: a violência de gênero.

A partir das histórias desses assassinatos, em uma narrativa jornalística e eu arriscaria a dizer investigativa no sentido de buscar informações (e não de encontrar culpados), vamos adentrando ao mundo cruel em que todas as mulheres estão suscetíveis: o de serem mortas pelo simples fato de serem mulheres. Estar viva, como apontado em no próprio livro, é pura questão de sorte.

Entre os assassinados que somos expostos, o fato comum da impunidade é o que permeia entre eles. Em nenhum o verdadeiro assassino foi encontrado, mesmo depois de tantos anos. Considerados casos de um crime “menor”, durante anos foram arquivados e não resolvidos sem que nem mesmo a grande mídia se voltasse a eles, principalmente por serem ocasionados em cidades do interior, sem grande destaque nacional. Há outros fatos que se repetem nas histórias: a pobreza, o machismo e a violência.

As histórias vão sendo contadas entrelaçadas, no meio dos nós outras são recordadas.  Todas se entrelaçam diretamente com a dela e indiretamente com a nossa. Selva passou anos com aquelas histórias ecoando em sua mente até ir atrás dos pontos, sem julgar diretamente os processos, mas garimpando histórias a fim de entender o que acontecia e trazer ao mundo a desvalorização na morte de uma mulher pelo seu gênero. A violência contra a mulher, seu corpo e sua vida são postas em jogo nos três casos e Selva nos conta um pouco de suas histórias, mas há outras tantas que passam por sua memória com histórias de violência presente no dia a dia, e outras tantas assassinadas tão cruelmente como Andrea, Maria Luísa e Sarita.

O livro nos traz a discussão do femínicio, da morte pelo gênero, do feminino, a importância social que esses crimes têm. Um livro que todos deveríamos ler e trazer nas discussões, e nos perguntarmos qual o valor da vida de uma mulher. As histórias nos fazem ainda permear pelo questionamento da sorte de estar viva sendo mulher. Não é uma questão simples, mas o que Selva diz é que qualquer mulher poderia ter passado o mesmo, em qualquer momento de sua vida.

Um livro essencial, eu diria. De um assunto abordado ainda sem grande abrangência ou discussão, mesmo sendo tão comum a todos. Leiam, leiam e leiam!


A autora: Selva é uma escritora contemporânea argentina. Nasceu em abril de 1973 na cidade de Entre Rios. Um dos principais nomes femininos da literatura argentina atual.

Norma

Norma – Sofi Oksanen

Um li

Norma foi um livro que me consumiu mais pela curiosidade do que pela narrativa em si. O enredo não chega a ser complexo, a história por vezes me pareceu confusa, mas é aquele livro gostosinho que te prende por algumas boas horas. Cheguei até ele sem querer, eu já queria ler algo da Sofi e algo da Finlândia e no meio de uma promoção da FNAC ele brilhou na prateleira e me arrisquei. Fazia algum tempo que eu precisava de um livro assim, só pela distração, depois da faculdade minhas leituras se tornaram tão obrigatórias que Norma foi um resgate a literatura sem obrigações pra mim.

O enredo conta a história de Norma logo após a morte de sua mãe, que se suicidou no metro de Helsinque. Em meio a um estranho que aparece no cemitério e a tentativa de descobrir o porquê do suicídio, Norma se envolve em uma rede grande de trafico de cabelos e clínicas de fertilização e precisa lidar como pessoas perigosas as quais a mãe havia se envolvido e estavam diretamente ligadas a sua morte. Parece em si uma história de mistério e quase um romance policial: buscas por pistas, histórias mal contadas, pessoas misteriosas, fatos estranhos; porém tons fantásticos tornam todo o enredo um pouco mais interessante: Norma e sua mãe guardam o segredo de que os cabelos de Norma crescem misteriosamente (1metro por dia) e variam de acordo com seu humor. A partir daí inicia uma trama mais interessante que mistura o passado e o presente, o efeito e a causa nas decisões e de certa maneira a vingança.

Um ponto que destaca o romance é a relação normalidade x anormalidade e a apresentação social do diferente. Sofi traz à tona a exploração do corpo alheio, o bizarro, a rejeição. Pontos que no passado afetaram diretamente no que Norma é hoje e que ainda precisa lidar, não só para se entender como também para se livrar dos problemas que a mãe lhe causou. Norma entende ao longo da narrativa que o mundo criado por sua mãe era repleto de mentiras e que ela própria era uma vítima daquela situação. Através de vídeos que sua mãe deixou gravados ela descobre a história do passado de sua família, da situação a qual sua mãe indiretamente a envolveu e principalmente a capacidade que ela própria tem.

Um livro gostoso de ler, fácil e rápido, em uma tarde ele pode ser devorado, apesar de alguns pontos serem bem tediosos de ler.  É um livro que a partir do meio se torna bastante previsível, mas nada disso estraga a história em si. O final, apesar de parecer um pouco confuso no sentido do desenrolar dos problemas, abre uma margem importante para explorar um futuro pós-final.


A autora: Sofi é uma escritora Finlandesa, nascida em 1977. Estou literatura e teatro e hoje é uma das principais vozes da escrita contemporânea da Finlândia.

Somos todos feministas

Somos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Um livro pequeno e tão grande em nobreza e pontos e esclarecimento. Li em uma hora e meia, mas assim que fechei ele respirei fundo e pensei “que bom que temos pessoas como a Chimamanda”.

Uma mulher incrível, nigeriana e contemporânea. Esse livro é na verdade uma palestra que deu (e se bem me lembro num TED), e conta um pouco da sua vida e da situações de trauma que a fizeram entender como as mulheres eram “seres inferiores”, como eram menosprezadas e como todo esforço de uma mulher precisa ser o dobro para ser reconhecido. A partir daí ela conta sobre situações de discriminação de gênero e pequenos detalhes que são presentes no dia a dia e provam isso. Então explica o porquê que devemos todos sermos feministas e urgentemente batalharmos pela igualdade entre gêneros.

Não é bem um livro literário, mas é um livro necessário para nós em dias como hoje. Recomendadíssimo a leitura.


A autora: Chimamanda é uma escritora contemporânea nigeriana. Conhecida como uma das mais importantes escritoras jovens anglófonas e ajuda a dar atenção a literatura africana.

Léxico Familiar

Léxico Familiar – Natalia Ginzburg

Léxico familiar nos conta um pouco da história de Natalia e sua família, os Levi. Adentramos a sua casa, conhecemos sua família, os amigos, as falhas, os problemas e as pequenas alegrias que circundam essa família italiana. Suas lembranças são expostas e transportam-se no decorrer dos anos indo até o pós-guerra, conta das suas lembranças que se fragmentam perante os regimes totalitários e expõe os pormenores de uma família que precisa lutar e se libertar dos regimes opressores.

Os Levi não ficam em um único lugar no país, com um pai professor universitário e amante das montanhas, passam a infância ouvindo a mãe reclamar das mudanças e das distancias. Letrados, judeus (exceto a mãe, que é a única não-judia que a avó de Natalia aceitou com tal condição) e apoiadores da esquerda,os Levi nos deixam conhecer diferentes figuras importantes para a história e que fizeram parte do fluxo familiar e da vida de Natalia.

Minimalista, como é classificado por tantos, mas de um envolvimento absurdo, nas primeiras páginas já somos parte dessa família de cinco filhos, do qual Natalia é a mais nova e de pais tão singulares e aparentemente opostos. No decorrer do crescimento e o passar dos anos vamos chegando aos detalhes desse dia a dia: jantares, vizinhos, avó, viagens às montanhas, os ódios, amores, a mãe que esconde o quanto gasta, o pai que reclama e grita demais… A religião fica de certa forma ausente, mas a política é um fator importantíssimo que permeia pela família e a história toda. De Natalia só começamos a ver detalhes mais pro fim, o que deixa o livro distante de uma autobiografia.

A mágica do livro começa no título: Léxico. Nos estudos, o Léxico é o dicionário, o conjunto de vocábulos de uma língua. Mas aqui é o Léxico, um léxico familiar. Um livro tão singular como Natalia, que se casou com Leon Ginzburg, um judeu russo exilado, foi a primeira tradutora de Proust em Italiano, foi uma poderosa editora (que trabalhou inclusive com Italo Calvino) e que nunca abandonou sua posição política que foi formada em si desde pequena em uma família ligada ao movimento da esquerda e o comunismo.

É um livro de narrativa musical, de leitura leve apesar de o conteúdo, em muitas vezes, ser carregado.


A autora: Natalia é de Palermo, capital da Sicilia. Nascida em uma família judia. Durante anos trabalhou na editora Einaudi ao lado de Pavese e Calvino. É um dos grandes nomes femininos da literatura italiana.

A invenção de Morel

A invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares

Um livro de 1940 quase nunca é tão fácil de descrever, um como A Invenção de Morel, parte essencial da literatura argentina, aclamado e obra mais conhecida de Bioy torna o processo ainda mais complicado. Um livro que carrega consigo a dificuldade de entendimento, uma quase surrealidade e uma responsabilidade grande foi um desafio maravilhoso e que entrou em minha vida para ser parte fundamental do meu desenvolvimento.

Um grande paradoxo. Difícil de entender, de engolir, descer. Apesar das poucas páginas -pouco mais de cem- somos inundados por uma maré de informações, fatos e angustias dentro do livro. Se você assistiu Dark (a série alemã) ou alguns episódios de Black Mirror vai conseguir fazer analogias e ligações claustrofóbicas do labirinto que o livro te leva. Se não assistiu, não tem qualquer problema. O labirinto é o mesmo, aquele que questiona nossa fragilidade perante o mundo e as nossas certezas.

A história é feita em -quase- em um formato de diário, parece mais um caderno de relatos para um futuro. Nele o narrador conta sobre sua chegada na ilha, um fugitivo da justiça venezuelana condenado à prisão perpétua que busca manter sua liberdade e para isso escolhe se prender em uma ilha aparentemente deserta. Os primeiros dias no lugar ele passa sozinho reconhecendo o campo, o lugar e as possibilidades, mas quando menos se imagina surgem pessoas. Se alimentando de raízes, cansado e já um pouco fora de si, ele está certo de que vieram captura-lo e fica confuso sobre como elas chegaram até ali, ele passa a observa-las e a tentar entender quem são. Uma dessas pessoas, Faustine, se torna a paixão daquele solitário homem, que buscando fugir da prisão prende-se a uma ilha vazia e desconhecida. A aproximação é lenta, ocorrida por fatos estranhos que vão percorrendo a história, inexplicáveis situações aparecendo e nos questionamos o que daquilo é loucura e o que é verdade.

A aproximação finaliza com a descoberta da invenção de Morel, uma máquina imortalizadora. Começa um segundo processo, de entender o funcionamento, de se fazer parte daquilo. Se eu contar mais, vou acabar contando o livro todo, então paro por aqui.

Envolto por questionamentos atuais que mexem com nossos conceitos, esse pequeno grande livro merece a leitura. Não uma, inclusive, apesar de não parece, ele tem uma complexidade rica. Já começa com um prefácio de Borges e traz pra nós uma qualidade absurda da literatura argentina.

O autor: Argentino, morto em 1999, é conhecido por sua narrativa em mundos fantasmagóricos, de uma lógico peculiar e marcado por um realismo verossimilhante. Foi um grande amigo de Borges e é parte essencial da literatura argentina.

Pauliceia Desvairada

Pauliceia Desvairada

Mario de Andrade

A autora: Mario de Andrade é um autor brasileiro, foi um dos pioneiros na literatura modernista e uma grande referência (inclusive, muito estudado nos vestibulares).Nasceu em São Paulo em 1893 e morreu, na mesma cidade, no ano de 1945.

Resenha: Comecei a recomendação de livros pra faculdade desse semestre ainda nas férias. Pauliceia comecei a ler -quase que propositalmente, mas embalado por uma certa coincidência- no dia 25 de Janeiro, aniversário da cidade de São Paulo. Apesar de já ter visto vagamente o livro e o tema na escola, depois de anos fora, precisei dar uma recuperada. Pauliceia foi publicada em 1922, semana de arte moderna e que mudou os padrões a visão brasileira de arte. Mario de Andrade rompeu radicalmente com suas obras anteriores e nessa faz uma analise da cidade e da sociedade paulistana. A cidade começava um processo intenso de industrialização, deixando de lado a vida rural. O cenário é descrito por Mario em seus poemas, descrevendo pessoas, lugares e o movimento que a cidade passava. Além da questão social e crítica dos poemas, ressalto a mudança estética e estrutural da forma poética (e na época de grandes vertentes da arte). Um dos poemas mais conhecidos é Ode ao Burgues.

Eu recomendo a leitura para todos. É um livro de rompimento histórico e social, porém, se você é de São Paulo (ou conhece/mora na cidade), vai ter um encanto diferente por cada um dos poemas. São uma delícia de ler e ainda tem um prefácio maravilhoso cheio de pensamentos e de explicações. Como é pra faculdade a leitura, com certeza precisarei reler e terei novas analises pra compartilhar!

A filha perdida

A filha perdida

Elena Ferrante

A autora: Elena Ferrante é um pseudônimo e foi usado para preservar o anonimato de quem estava por trás do nome, porém, um jornalista chegou a conclusão que Elena é na verdade Anita Raja, uma tradutora. Ela é casada com Domenico Starnone. Italianos contemporâneos.

Sinopse*:“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.
No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.

Resenha: A filha perdida é repleta de conflitos atuais: a visão real da maternidade, abandono, direitos, vontades. Te faz pensar nos pequenos detalhes, recordar seu passado e meditar sobre o futuro. Muitos pontos importantes de visões atuais são postos à prova depois de ler esse livro. Quando comecei a ler Ferrante foi mais pelo fato de começar a me envolver com literatura italiana, já que minha habilitação na faculdade vem logo aí. Queria também algo contemporâneo do país e me animei bastante com o livro.

Em termos de roteiro e desenvolver da história não temos muitas surpresas, e nem acho que precisava depois do murro que a gente leva com o livro. Nenhuma grande distorção ou mudança nos acontecimentos ao longo da história. No livro conhecemos Leda, uma mulher que se vê livre, já que as filhas (jovem-adultas) foram morar com o pai no Canadá, decide sair de férias e vai aproveitar dias tranquilos na praia. Lá observa uma família bastante expressiva que lembra inclusive sua própria família, mas o destaque de suas observações fica em uma jovem mãe e sua filha que brincam felizes com uma boneca velha, que percorre toda uma frente importante da narrativa e se torna um objeto essencial pro desenrolar da história, mas principalmente, pras aceitações e confissões de Elena.

Elena narra com uma honestidade que te leva a um choque de realidade tão simples e tão presente nas nossas vidas que é até assustador. No fim do livro você fica com o gosto amargo daquelas verdades que ela expõe sem medo ali. Vemos a realidade dura dos sentimentos não expostos da maternidade, aquela dor e raiva que toda mãe deve sentir e aqueles julgamentos tão presentes na sociedade em relação ao parto e a mulher batem na nossa cara. Eu fiquei durante o livro todo numa mistura de entendimento, compartilhamento, medo e realidade perante meus próprios sentimentos e vivencia. Creio que se você é mulher esses sentimentos são mais fortes ainda.

Com uma mistura de presente e lembranças, o livro é um verdadeiro reflexo de verdades e realidade. Eu amei a leitura e vou com certeza ler mais livros dela.

* (sinopse do Skoob)

O carteiro e o poeta

O carteiro e o poeta

Antonio Skármeta

O autor: Skármeta, assim como eu, nasceu em um 7 de novembro. Ele é do ano de 1940. É um escritor Chileno e ganhou diversos prêmios na literatura.

Sinopse*: Sucesso também no cinema, esta novela tem como cenário o refúgio de Pablo Neruda em Ilha Negra, no Chile. Narra a amizade do carteiro Mario Jiménez com o poeta, e como nasce a admiração pelas poesias e a cumplicidade entre os dois, até a morte de Neruda.

Resenha: E 2018 começou repleto de leitura, né? Terceira que eu trago pro blog esse mês e estou muito feliz com isso!  Já fazia muito tempo que eu queria ler esse livro e tomei coragem agora nessas férias. Cheio de poesia e com uma leitura bem fluída, chegamos a vida do carteiro que aos 17 anos consegue o emprego de carteiro (algo que ninguém queria) e se deslumbra com a possibilidade de poder conhecer Neruda (seu vizinho).

Começa em um trabalho de entrega de carta, mas além de se conhecerem, vai fluindo pra uma amizade que Mario – o carteiro- leva para a vida toda. Amizade essa que começa com o pedido de Mario para aprender a fazer metáforas no objetivo de conquistar uma moça. Vemos essa amizade inclusive transformar Mario de outras maneiras, acompanhamos sua evolução pessoal e intelectual ao longo da narrativa. Anos dessa vivência são contados e o envolvimento do poeta -além da história dele também- fazerem parte do todo.

No livro da pra se entender também um pouco da questão política no Chile e como a influência dessa política transforma o local, seus moradores e o próprio poeta. O próprio Neruda é parte dessa política que leva o poeta a ser um possível candidato à presidência do país e transcorre até o momento que ele é cercado dos tanques de exército.

É um livro pequeno, de leitura gostosa e com uma prosa muito bonita. Recomendado!

* (sinopse do Skoob)

Por que fazemos o que fazemos?

Por que fazemos o que fazemos?

Mario Sergio Cortella

O autor: Cortella é escritor, professor, educador e palestrando brasileiro, hoje sua fama vem principalmente da sua participação em programas e discussões sociais ligadas à filosofia contemporânea.

Sinopse*: Dividido em vinte capítulos, ele aborda questões como a importância de ter uma vida com propósito, a motivação em tempos difíceis, os valores e a lealdade – a si e ao seu emprego. O livro é um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira mas vive se questionando sobre o presente e o futuro.

Resenha: Um pouco diferente do que costumo ler, esse livro foi um presente de amigo secreto. Li rapidinho (em 2 dias) e resolvi trazer um pouco dele aqui também, afinal, é uma das leituras do ano. Começamos bem esse 2018 né?

Indo ao livro, Cortella traz aqui alguns temas referente ao trabalho e a felicidade. No meu atual momento profissional, foi ótimo ler o livro pra ter um direcional sobre: é o que quero? eu gosto do que faço? por que eu faço? qual meu propósito?

A partir daí, comecei a me questionar em alguns pontos, tentando entender onde quero chegar e até onde quero chegar. No livro também, entendemos até que ponto estamos sendo bons funcionários motivados e até onde somos trouxas. Não é só uma questão de motivação pessoal, mas as empresas também precisam entregar algo além de um salário em troca do nosso tempo. É uma via de duas mãos.

Se você se questiona sobre sua vida profissional, sobre sua empresa, sobre sua dúvida em relação ao que quer ou não, esse livro é super indicado. Inclusive se você tiver em um momento de angustia ou se questionando sobre sua capacidade e motivação.

 

(Sinopse do Skoob)