A invenção de Morel

A invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares

Um livro de 1940 quase nunca é tão fácil de descrever, um como A Invenção de Morel, parte essencial da literatura argentina, aclamado e obra mais conhecida de Bioy torna o processo ainda mais complicado. Um livro que carrega consigo a dificuldade de entendimento, uma quase surrealidade e uma responsabilidade grande foi um desafio maravilhoso e que entrou em minha vida para ser parte fundamental do meu desenvolvimento.

Um grande paradoxo. Difícil de entender, de engolir, descer. Apesar das poucas páginas -pouco mais de cem- somos inundados por uma maré de informações, fatos e angustias dentro do livro. Se você assistiu Dark (a série alemã) ou alguns episódios de Black Mirror vai conseguir fazer analogias e ligações claustrofóbicas do labirinto que o livro te leva. Se não assistiu, não tem qualquer problema. O labirinto é o mesmo, aquele que questiona nossa fragilidade perante o mundo e as nossas certezas.

A história é feita em -quase- em um formato de diário, parece mais um caderno de relatos para um futuro. Nele o narrador conta sobre sua chegada na ilha, um fugitivo da justiça venezuelana condenado à prisão perpétua que busca manter sua liberdade e para isso escolhe se prender em uma ilha aparentemente deserta. Os primeiros dias no lugar ele passa sozinho reconhecendo o campo, o lugar e as possibilidades, mas quando menos se imagina surgem pessoas. Se alimentando de raízes, cansado e já um pouco fora de si, ele está certo de que vieram captura-lo e fica confuso sobre como elas chegaram até ali, ele passa a observa-las e a tentar entender quem são. Uma dessas pessoas, Faustine, se torna a paixão daquele solitário homem, que buscando fugir da prisão prende-se a uma ilha vazia e desconhecida. A aproximação é lenta, ocorrida por fatos estranhos que vão percorrendo a história, inexplicáveis situações aparecendo e nos questionamos o que daquilo é loucura e o que é verdade.

A aproximação finaliza com a descoberta da invenção de Morel, uma máquina imortalizadora. Começa um segundo processo, de entender o funcionamento, de se fazer parte daquilo. Se eu contar mais, vou acabar contando o livro todo, então paro por aqui.

Envolto por questionamentos atuais que mexem com nossos conceitos, esse pequeno grande livro merece a leitura. Não uma, inclusive, apesar de não parece, ele tem uma complexidade rica. Já começa com um prefácio de Borges e traz pra nós uma qualidade absurda da literatura argentina.

O autor: Argentino, morto em 1999, é conhecido por sua narrativa em mundos fantasmagóricos, de uma lógico peculiar e marcado por um realismo verossimilhante. Foi um grande amigo de Borges e é parte essencial da literatura argentina.

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Pauliceia Desvairada

Pauliceia Desvairada

Mario de Andrade

A autora: Mario de Andrade é um autor brasileiro, foi um dos pioneiros na literatura modernista e uma grande referência (inclusive, muito estudado nos vestibulares).Nasceu em São Paulo em 1893 e morreu, na mesma cidade, no ano de 1945.

Resenha: Comecei a recomendação de livros pra faculdade desse semestre ainda nas férias. Pauliceia comecei a ler -quase que propositalmente, mas embalado por uma certa coincidência- no dia 25 de Janeiro, aniversário da cidade de São Paulo. Apesar de já ter visto vagamente o livro e o tema na escola, depois de anos fora, precisei dar uma recuperada. Pauliceia foi publicada em 1922, semana de arte moderna e que mudou os padrões a visão brasileira de arte. Mario de Andrade rompeu radicalmente com suas obras anteriores e nessa faz uma analise da cidade e da sociedade paulistana. A cidade começava um processo intenso de industrialização, deixando de lado a vida rural. O cenário é descrito por Mario em seus poemas, descrevendo pessoas, lugares e o movimento que a cidade passava. Além da questão social e crítica dos poemas, ressalto a mudança estética e estrutural da forma poética (e na época de grandes vertentes da arte). Um dos poemas mais conhecidos é Ode ao Burgues.

Eu recomendo a leitura para todos. É um livro de rompimento histórico e social, porém, se você é de São Paulo (ou conhece/mora na cidade), vai ter um encanto diferente por cada um dos poemas. São uma delícia de ler e ainda tem um prefácio maravilhoso cheio de pensamentos e de explicações. Como é pra faculdade a leitura, com certeza precisarei reler e terei novas analises pra compartilhar!

A filha perdida

A filha perdida

Elena Ferrante

A autora: Elena Ferrante é um pseudônimo e foi usado para preservar o anonimato de quem estava por trás do nome, porém, um jornalista chegou a conclusão que Elena é na verdade Anita Raja, uma tradutora. Ela é casada com Domenico Starnone. Italianos contemporâneos.

Sinopse*:“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.
No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.

Resenha: A filha perdida é repleta de conflitos atuais: a visão real da maternidade, abandono, direitos, vontades. Te faz pensar nos pequenos detalhes, recordar seu passado e meditar sobre o futuro. Muitos pontos importantes de visões atuais são postos à prova depois de ler esse livro. Quando comecei a ler Ferrante foi mais pelo fato de começar a me envolver com literatura italiana, já que minha habilitação na faculdade vem logo aí. Queria também algo contemporâneo do país e me animei bastante com o livro.

Em termos de roteiro e desenvolver da história não temos muitas surpresas, e nem acho que precisava depois do murro que a gente leva com o livro. Nenhuma grande distorção ou mudança nos acontecimentos ao longo da história. No livro conhecemos Leda, uma mulher que se vê livre, já que as filhas (jovem-adultas) foram morar com o pai no Canadá, decide sair de férias e vai aproveitar dias tranquilos na praia. Lá observa uma família bastante expressiva que lembra inclusive sua própria família, mas o destaque de suas observações fica em uma jovem mãe e sua filha que brincam felizes com uma boneca velha, que percorre toda uma frente importante da narrativa e se torna um objeto essencial pro desenrolar da história, mas principalmente, pras aceitações e confissões de Elena.

Elena narra com uma honestidade que te leva a um choque de realidade tão simples e tão presente nas nossas vidas que é até assustador. No fim do livro você fica com o gosto amargo daquelas verdades que ela expõe sem medo ali. Vemos a realidade dura dos sentimentos não expostos da maternidade, aquela dor e raiva que toda mãe deve sentir e aqueles julgamentos tão presentes na sociedade em relação ao parto e a mulher batem na nossa cara. Eu fiquei durante o livro todo numa mistura de entendimento, compartilhamento, medo e realidade perante meus próprios sentimentos e vivencia. Creio que se você é mulher esses sentimentos são mais fortes ainda.

Com uma mistura de presente e lembranças, o livro é um verdadeiro reflexo de verdades e realidade. Eu amei a leitura e vou com certeza ler mais livros dela.

* (sinopse do Skoob)

O carteiro e o poeta

O carteiro e o poeta

Antonio Skármeta

O autor: Skármeta, assim como eu, nasceu em um 7 de novembro. Ele é do ano de 1940. É um escritor Chileno e ganhou diversos prêmios na literatura.

Sinopse*: Sucesso também no cinema, esta novela tem como cenário o refúgio de Pablo Neruda em Ilha Negra, no Chile. Narra a amizade do carteiro Mario Jiménez com o poeta, e como nasce a admiração pelas poesias e a cumplicidade entre os dois, até a morte de Neruda.

Resenha: E 2018 começou repleto de leitura, né? Terceira que eu trago pro blog esse mês e estou muito feliz com isso!  Já fazia muito tempo que eu queria ler esse livro e tomei coragem agora nessas férias. Cheio de poesia e com uma leitura bem fluída, chegamos a vida do carteiro que aos 17 anos consegue o emprego de carteiro (algo que ninguém queria) e se deslumbra com a possibilidade de poder conhecer Neruda (seu vizinho).

Começa em um trabalho de entrega de carta, mas além de se conhecerem, vai fluindo pra uma amizade que Mario – o carteiro- leva para a vida toda. Amizade essa que começa com o pedido de Mario para aprender a fazer metáforas no objetivo de conquistar uma moça. Vemos essa amizade inclusive transformar Mario de outras maneiras, acompanhamos sua evolução pessoal e intelectual ao longo da narrativa. Anos dessa vivência são contados e o envolvimento do poeta -além da história dele também- fazerem parte do todo.

No livro da pra se entender também um pouco da questão política no Chile e como a influência dessa política transforma o local, seus moradores e o próprio poeta. O próprio Neruda é parte dessa política que leva o poeta a ser um possível candidato à presidência do país e transcorre até o momento que ele é cercado dos tanques de exército.

É um livro pequeno, de leitura gostosa e com uma prosa muito bonita. Recomendado!

* (sinopse do Skoob)

Por que fazemos o que fazemos?

Por que fazemos o que fazemos?

Mario Sergio Cortella

O autor: Cortella é escritor, professor, educador e palestrando brasileiro, hoje sua fama vem principalmente da sua participação em programas e discussões sociais ligadas à filosofia contemporânea.

Sinopse*: Dividido em vinte capítulos, ele aborda questões como a importância de ter uma vida com propósito, a motivação em tempos difíceis, os valores e a lealdade – a si e ao seu emprego. O livro é um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira mas vive se questionando sobre o presente e o futuro.

Resenha: Um pouco diferente do que costumo ler, esse livro foi um presente de amigo secreto. Li rapidinho (em 2 dias) e resolvi trazer um pouco dele aqui também, afinal, é uma das leituras do ano. Começamos bem esse 2018 né?

Indo ao livro, Cortella traz aqui alguns temas referente ao trabalho e a felicidade. No meu atual momento profissional, foi ótimo ler o livro pra ter um direcional sobre: é o que quero? eu gosto do que faço? por que eu faço? qual meu propósito?

A partir daí, comecei a me questionar em alguns pontos, tentando entender onde quero chegar e até onde quero chegar. No livro também, entendemos até que ponto estamos sendo bons funcionários motivados e até onde somos trouxas. Não é só uma questão de motivação pessoal, mas as empresas também precisam entregar algo além de um salário em troca do nosso tempo. É uma via de duas mãos.

Se você se questiona sobre sua vida profissional, sobre sua empresa, sobre sua dúvida em relação ao que quer ou não, esse livro é super indicado. Inclusive se você tiver em um momento de angustia ou se questionando sobre sua capacidade e motivação.

 

(Sinopse do Skoob)

Neve

Neve

Orhan Pamuk

O autor: Pamuk é um escritor e professor de literatura na Universidade Columbia. Nasceu em Istambul em 1952. Ele venceu o Nobel de Literatura em 2006, o primeiro turco a conseguir o prêmio.

Sinopse*: Neve conta a história de Ka, poeta exilado na Alemanha, que viaja a uma pequena cidade turca sob o pretexto de investigar a onda de suicídios entre jovens muçulmanas que assola o vilarejo. Durante essa visita, uma nevasca bloqueia todas as estradas, insulando a cidade do resto do mundo. É nesse clima de isolamento que um veterano ator e sua mulher aproveitam para liderar um golpe militar. Embora tenha se distanciado da política há muitos anos, Ka é alçado a protagonista involuntário dessa revolução. Nada menos apropriado para um escritor cujos desejos são apenas registrar as poesias que lhe escapam há anos, mas que agora passam a fluir com extrema naturalidade, e se casar com Ìpek, antiga colega de escola. Mas o turbilhão provocado pelo golpe traz à tona a truculência das forças de segurança, antigos ajustes de contas e o radicalismo de alguns militantes islâmicos. Enquanto Ka tenta se equilibrar entre as diversas facções em choque, vê a cidade se tornar um microcosmo dos conflitos raciais, políticos e étnicos da Turquia, além de palco da sua tragédia pessoal.

Resenha: Neve foi o primeiro livro terminado de 2018, foi quase um ano entre começar e continuar sua leitura. Me interessei pelo livro/autor depois de em uma oficina de criação literatura eu descobrir o livro O Romancista Ingenuo e o Sentimental, e depois rever o livro na faculdade de Letras. Pois bem, depois de me encantar um pouco com a escrita e a maneira de ensinar escrita e literatura do Pamuk, corri para ler Neve, mas confesso tristemente, que foi uma pequena decepção. O livro não é de todo ruim, mas talvez minhas expectativas fossem altas demais.

O romance conta a história de Ka, um poeta turco exilado na Alemanha. Ele volta à Istambul devido a morte da mãe e aproveita para ir à Kars, sua cidade natal, para investigar -de maneira jornalistica- os suicídio por jovens muçulmanas. Assim que chega, Ka fica preso na cidade pois a neve bloqueia as estradas. Após começar sua investigação, Ka descobre que a questão do suicídio e a religião está muito mais profunda do que podia imaginar. O livro nos dá uma pequena aula sobre a religião num país que nem sempre temos acesso. São quase 500 páginas entre uma disputa de crenças e a discussão sobre mulheres cobrirem ou não suas cabeças. Há até mesmo um golpe militar na cidade. A neve é algo tão presente na cidade que sentimos o frio e o gelo que acoberta Kars e as pessoas. Até quem nunca viu neve, pode ter a sensação pela narrativa. Durante sua estadia na cidade, Ka volta a escrever poemas, coisa que não fazia há algum tempo, ele retoma suas origens e crenças.

Por fim, Ka também descobre o amor de Ipek, o que o ajuda na questão da escrita, porém, ela e a irmã estão envolvidas com a questão religiosa e política de uma intensa e acima do que ele poderia imaginar.

Apesar de toda a complexidade da história, a narrativa envolvente e o assunto de interesse, talvez as 500 páginas de livro tenham sido um exagero, e me fez chegar ao fim da leitura cansada e querendo que o livro acabasse logo.

Recomendo a leitura, pois o livro é bom, fala das complexidades de ser turco e a distancia com o ocidente, mas minha experiência com ele não foi das melhores.

(Sinopse do Skoob)

O Morro dos Ventos Uivantes

O morro dos ventos uivantes.

Emily Brönte


O autor:
 Inglesa, Emily Brönte viveu de 1818 a 1848. Dentre as irmãs Brönte ela é a que se tem menos informações, e de acordo com a própria irmã era uma pessoa reclusa.

Sinopse*: Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy.

O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.

Resenha: O Morro Dos Ventos Uivantes foi um dos romances que li esse ano para fazer uma análise pra faculdade. Depois de um ano nessa luta por absorver e crescer literariamente, o romance foi parte de um trabalho de análise do qual precisei desenvolver esses conhecimentos. E a principal parte de fazer esse trabalho veio na maneira diferente de ler o livro, que depois de muito estudo pude entender. Eu já havia lido o livro há alguns bons anos, e pra mim, nada era muito novo na história e ela em si nem tinha nada demais. Porém, após entender um pouco mais de teoria e crítica literária, ler os textos de apoio e ter uma ajuda do professor, eu vi e reli um romance totalmente novo par mim. Essa resenha se torna especial por causa disso também. Cuidado que tem muitos spoilers a partir de agora.

O livro conta a história de dois lugares e seus moradores, no interior da Inglaterra, o Morro dos Ventos Uivantes e a Granja Thrushcross. A história é inclusive dividida, em tese, em duas partes. Na primeira, temos foco direcionado para a história de amizade e amor de Catherine e Heathcliff. Na segunda, temos alguns desenrolares da história e de certa maneira a finalização de um ciclo intenso. De uma estrutura cronológica linear na contagem da história e principalmente mais pro fim a segunda parte, a história é composta também por outras histórias, que seguem uma cronologia passada, mas linear. Já a narração pode ser comparada a uma caixa e a um jogo parecido com Matrioskas, a cada abertura uma nova narrativa e uma nova história dentro de cada narração. O ponto de vista é principalmente a visão de Nelly, uma das empregadas, então, sempre duvidosa uma vez que é sua opinião em centro. Apesar da inicial simplicidade, a história vem cheia de uma complexidade não só narrativa, mas psicológica. Ela conta a história do que aconteceu nas casas para um inquilino que chega à Granja. Parte da narrativa também é contada por ele.

No Morro, a família Earnshaw recebe -vindo com o pai- uma criança sem família e desemparada vinda de uma cidade portuária. Essa chegada mexe diretamente com a família que vivia até então bem. Os filhos não aceitam o rapaz, a esposa fica revoltada e os empregados ficam sem entender muito bem o papel daquele menino que chegava.  Heathcliff chega para mudar completamente a história daquela família. As coisas se acertam de certa maneira com o decorrer dos dias e a filha mais nova, Catherine, passa a ter uma amizade muito forte com o irmão adotivo. Já o irmão mais velho deixa claro que não o aceita de maneira alguma e inclusive mal trata o garoto. No decorrer das semanas a mãe falece e algum tempo depois o pai também. Com isso, Hindley, o irmão mais velho, assume a direção da casa. A vida de Heathcliff, que apesar de tudo já não era fácil, passa a ser pior. Em uma noite, fugindo do irmão, Heathcliff e Catherine chegam a Granja, a menina é mordida por um cachorro e precisa ficar na casa dos vizinhos. Ao voltar, está mudada. A Granja, casa que representa a calmaria e o “padrão” familiar, molda a menina de uma maneira única, a molecagem da garota ficou no Morro, local de caos e indisciplina. Sua volta é marcada por uma aproximação dos Linton, os moradores da Granja, e essa proximidade gera o segundo ponto de grande impacto na história: Catherine, ou Cathy, é pedida em casamento por Edgar, o primogênito dos Linton. Buscando uma espécie de salvação para Heathcliff pelo dinheiro da família Linton, em um dos diálogos mais enigmáticos da literatura (talvez um dos mais estudados), ela conta a empregada sobre o pedido e a aceitação, para salvar o amigo, que estava no canto ouvindo. Heathcliff foge após ouvir a declaração. Anos se passam e nesse meio tempo Cathy e Edgar casam e Hindley vai se afundando cada vez mais em dívidas e em bebidas. Nesse momento do romance, a Granja se torna ainda mais forte o lugar da boa convivência e das tradições, com a família composta por Cathy, Edgar e Isabela, irmã de Edgar. Enquanto no Morro só restam Hindley, seu filho e um empregado. Heathcliff volta rico, disposto a vingar-se de toda a humilhação que passou. Compra o Morro, faz de Hareton, filho de Hindley, uma espécie de empregado, ajuda no processo de adoecimento de Cathy ao brigar com Edgar e casa-se com a Isabela.

O livro, por si só, já trás personagens de grande impacto social e psicológico. Cathy e Heathcliff são um casal formado não é por circunstancias não aceitas socialmente –no período-, mas ultrapassam até mesmo a morte e invadem o imaginário local. Heahtcliff é um garoto que sofre os diferentes tipos de perturbações sociais, não possuí uma origem certa e vive a humilhação social de sua condição. As casas também são personagens importantes, símbolos de caos e calmaria, elas são essenciais para pontuar os momentos e a história.

O fim é também conturbado, apesar da aparente resolução de problemas. Inicialmente, um lado pode ser escolhido e a aparente paz estabelecida, mas o ponto é questionável.

Por fim, há elementos essenciais na história que nos trazem interpretações diversas, desde a psicologia ao social. O que meu professor pontuou em sala, e que me fez ler o livro de uma percepção diferente é a Janela. Há uma sempre envolvendo o relacionamento e a presença de Cathy e Heathcliff. Essa janela representa essa divisão entre eles. Quando Cathy aceita o pedido de casamento de Hindley a janela é fechada em um dia quente, porém quando Heathcliff volta, a janela é aberta em um da de neve e frio. Cathy morre em direção à janela, Heathcliff também. Depois de ver isso, passei inclusive a contar às janelas que apareciam na história. Mas esse ponto merece um aprofundamento.

Há ainda uma ligação importante sobre o momento histórico inglês, o fim do gótico e a passagem para o realismo, que pode também ser parte de uma leitura. Além é claro, da história da própria Emily.

Os textos de apoio que usamos para a leitura do romance, e esse aprofundamento na leitura, foi um do Terry Eagleton chamado The Bröntes, um da Sandra Gilbert e Susan Gubar chamado Looking Oppositely: Emily Brontë Bible Of Hell. Também tivemos alguns textos teóricos de estrutura de romance como Temática do Tomachévski e o Século Sério do Franco Moretti.

Recomendadíssima a leitura e inclusive a re-leitura, caso você tenha tido a mesma impressão que eu na primeira. Entrou na lista de livros favoritos. O Morro dos Ventos Uivantes é muito mais do que apenas uma história de um amor sem limites.

 

Odisseia

Odisseia

Homero


O autor:
 Homero foi um poeta da Grécia antiga. Foi o criador das histórias Ilíada e Odisseia. Há diversas teorias sobre ele, e muitos estudiosos contemporâneos não acreditam na sua existência, mas resumidamente, Homero era um aedo (um artista da Grécia que cantava os épicos) e era um poeta cego. No século VIII a.C. houve um registro desses poemas épicos por alguém chamado Homero, e no século VII a.C. ele já era conhecido e havia muito questionamento sobre ele, mas foi no século VI a.C. que uma primeira edição foi feita, e em festas anuais era lido. Por fim, no século III a.C. chega a Biblioteca de Alexandria os possíveis originais que foram editados pelos bibliotecários. Se lemos o Homero original? Não, pelo fato de toda a transformação que um poema oral do século VIII a.C. sofreu, mas há registros de um aedo chamado Homero.

Sinopse*: “Odisseia” é uma narração que nos leva à Grécia de 3.000 anos atrás.Uma fantástica historia de aventura, onde Ulisses, rei da ilha de Ítaca, sai a combate na guerra de Tróia e luta ao lado do poderoso Aquiles.
Todos voltam para o seus lares depois da guerra, mas os deuses assim não quiseram para Ulisses, que então passa a vagar vinte anos pelos mares da Grécia.
Em sua longa viagem, ele se depara com monstros, sereias, feiticeiros e deuses que assumem a forma humana.
Durante esses vintes anos longe de Ítaca, a sua querida esposa Penélope sofre pelo seu marido e somente sobrevive por causa de seu filho Telêmaco e pela esperança de que Ulisses um dia volte e se vingue de todos os pretendentes de sua mão e que constantemente maquinam o assassinato de Telêmaco antes que esse assuma o trono.
Ajudado pela deusa Palas Atena ,filha de Zeus, Ulisses volta para o seu lar na forma de um mendigo, ninguém desconfia que tal mendigo seja Ulisses e passam a tratá-lo mal.
Com a ajuda da deusa Atena e de seu filho Telêmaco, Ulisses mata a todos os devoradores de sua casa e também aos servos infiéis.

Resenha: Odisseia foi meu favorito entre as épicas gregas. Aqui é narrado a história do retorno de Odisseu (ou Ulisses) pra casa, a ilha de Itaca.

Odisseu também luta na guerra de Troia e é ele, inclusive, que tem a ideia de montar o cavalo de Troia para conseguir adentras aos muros da cidade. Odisseu era astuto, o inteligente o polytropos. Ele foi um herói de palavra, e diferente de Aquiles (em Ilíada) ele foi pra guerra e voltou pra casa. Sabia se esquivar e andava praticamente as escondidas. Ele demora 20 anos pra retornar e nesse caminho passa por diferentes aventuras, inclusive, muitas delas ainda retratadas na literatura ocidental, como quando ele é amarrado no barco para ouvir o canto das sereias e não ser levado pelo encanto delas.

Ulisses também não queria ir pra guerra e se finge de doido, tentando se esquivar de Agamenon e Menelau, mas é descoberto e vai, mesmo contra vontade. Odisseu, apesar de contrariado é o grande herói que consegue a proeza de chegar a Troia e ajudar na derrota do inimigo. Para ir à guerra ele deixa o filho a esposa Penélope.

É na Odisseia que descobrimos também sobre a morte de Aquiles, que na Ilíada não é narrada. Odisseu vai a terra dos mortos em um dos cantos e lá conversa com a alma de Aquiles.

Mas a importância da Odisseia é única. Sua escrita foi imitada por outras diferentes clássicas escritas (Eneida, Os Lusiadas, entre outras, e é aqui também que “começa” a teoria sobre a maquina do mundo). A sequencia do retorno, começando com a tempestade que tem que enfrentar por ter matado um Ciclope e gerado a raiva de Poseidon é uma cena imitada inúmeras vezes e de fundamental importância pra literatura ocidental. Apesar de seu retorno ter sido lendo por vontade dos deuses, Odisseu também tem a ajuda de vários deles, e outras criaturas misticas, para seu retorno.

Assim como Ilíada, a Odisseia é uma obra que precisa ser estudada a fundo. A muito na obra que precisa ser detalhado e visto com cuidado. Mas é recomendadíssimo, eu adorei ler e quero depois reler, pra tentar absorver ainda mais da leitura depois de tudo o que aprendi na aula. Pra quem quiser ler, as edições que recomendo são da tradução do Frederico Lourenço ou do Christian Werner (disseram que essa tradução é “difícil”, mas apesar das palavras por vezes não-comuns, não é tão difícil não).

(Sinopse do Skoobl)

Ilíada

Ilíada

Homero

O autor: Homero foi um poeta da Grécia antiga. Foi o criador das histórias Ilíada e Odisseia. Há diversas teorias sobre ele, e muitos estudiosos contemporâneos não acreditam na sua existência, mas resumidamente, Homero era um aedo (um artista da Grécia que cantava os épicos) e era um poeta cego. No século VIII a.C. houve um registro desses poemas épicos por alguém chamado Homero, e no século VII a.C. ele já era conhecido e havia muito questionamento sobre ele, mas foi no século VI a.C. que uma primeira edição foi feita, e em festas anuais era lido. Por fim, no século III a.C. chega a Biblioteca de Alexandria os possíveis originais que foram editados pelos bibliotecários. Se lemos o Homero original? Não, pelo fato de toda a transformação que um poema oral do século VIII a.C. sofreu, mas há registros de um aedo chamado Homero.

Sinopse*: Na Ilíada, Homero conta como a cidade de Tróia foi sitiada pelos aqueus, que desejavam recuperar Helena, esposa do rei espartano, Menelau, e raptada por Páris. No poema, Homero fornece várias pistas sobre a posição da planície de Tróia e no século I, o escritor grego Estrabão ampliou a descrição desta planície, que na época se chamava Nova Ilium. Esta obra é considerada a Bíblia da antiga Grécia, uma obra-prima. Os combates travados diante de Tróia, provocados pela ira de Aquiles por Agamenon, e as relações familiares atingidas pela guerra compõem um cenário vivo em cores e real nos sentimentos. O autor é representado pelos artistas gregos como um velho cego, que anda de cidade em cidade recitando seus versos.

Resenha: A primeira coisa que vale pontuar aqui é que o filme Tróia conta sim parte do que tem na Ilíada, mas o livro é relativamente diferente, e o filme não conta só com o que tem na Ilíada, mas junta com o que se tem de relato da Odisseia e parte do que acontece no filme, não acontece nos livros. Outro ponto importante é que Ilíada é um recorte da guerra de Tróia, são contados alguns dias dessa guerra e o foco é o Aquiles e sua cólera.

Aquiles, o Peleu, não quer participar da guerra, e o motivo é que ele e Agamenon não são amigos ou nada do tipo, pelo contrário. Aquiles chega a pedir pra sua mãe ajuda-lo a não ir lutar. Mas o grande motivador da ida de Aquiles é a glória que alcançaria. São feitas profecias e como bom guerreiro, ele opta pela glória eterna e a vida curta. Aquiles sabia que morreria (e não é spoiler quando é um livro escrito antes de Cristo!). Mas enfim Aquiles resolve ir a guerra e aí está sua cólera.

Outro ponto importante no livro é que os deuses adoram brincar com os humanos e se dividem entre gregos e troianos. Parte das coisas que acontecem na guerra é inclusive por causa dessa divisão entre os deuses. O livro, inclusive, começa com Apolo jogando uma praga nos Aqueos e com Aquiles chamando o conselho pra discutirem a questão.

Pois bem, Páris sequestra Helena (que é filha de Zeus e nasceu de um ovo, fruto do estupro que ele fez em sua mãe fingindo ser um cisne), e ela já nasce com o destino traçado. Páris ganha Helena de presente de Afrodite. Menelau, irmão de Agamenon, decide então atacar Troia e tem o apoio do irmão, que já lutava pelas conquistas da Grécia. Páris é o “acovardado” da família e como um não-guerreiro, diferente do seu irmão Heitor, é por vezes “zuado” na narrativa.

Na Ilíada, por contar esse sofrimento de Aquiles, não há a narração da sua morte, e o livro acaba com o rito funeral de Heitor, morto por Aquiles após a fúria que o tomou ao ver Patroclo, seu amigo, morto por Heitor.

A Ilíada, assim como outras épicas greco-romanas, são importantes por uma série de referencias e base literária pro ocidente. Claro que só ler não é o suficiente, mas entender a essência e as referencias são essenciais pro conhecimento da obra. Não da pra trazer tudo o que aprendi na leitura e na aula nesse post, mas acredito que com essa resenha inicial já de pra ter noção. Leiam, sério. Não é uma leitura fácil, já digo de bate pronto, mas é ótimo.

Foi nesse livro também que entendemos sobre tradução, e aprendi muito sobre a importância dela. Depois falo mais disso, em outro post, mas minha recomendação de leitura da Ilíada é a tradução do Frederico Lourenço.

(Sinopse do Skoobl)

Poética

Poética

Aristóteles

O autor:
 Aristóteles foi um filosofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre o Grande. É visto como um dos fundadores da filosofia ocidental.

Resenha: Pode parecer estranho a primeira vista essa resenha. E talvez seja mesmo. Mas Poética foi o primeiro livro lido na faculdade de Letras e quis trazer a importância dele pra cá. De maneira resumida, bem resumida na verdade, trago essa resenha.

Primeiro vamos ao termo Poética, que, apesar de parecer falar apenas sobre poema, fala na verdade sobre a literatura. Temos esse pequeno impasse linguístico no português, mas a poética fala sobre toda a produção literária claro que da época em que fez parte, mas que ainda é usada e como toda a produção grego-latina serve como referente ao atual também.

De maneira sucinta, a poética trás um pouco sobre os gêneros literários e a fundamentação do Mimesis, ou a imitação, algo que hoje pode parecer um problema (o tal plágio) não era visto assim na era antiga e inclusive, era considerado um privilégio e era base literária. A partir daí há uma analise e a explicação da subdivisão por modos, meios e objetos. Na poética temos também a linguagem, harmonia e ritmo.

Tem muito o que se falar sobre a poética e classificação dos gêneros e suas subdivisão, mas como o blog não é necessariamente sobre resenhas e estudo, achei melhor trazer essa pequena resenha, pra que, quando puder ou quem quiser, possam aprofundar no assunto.

O que mais tenho aprendido na matéria de clássicos é a importância de se estudar esses autores, pois eles foram essenciais (e as obras greco-romanas como um todo) para a formação da literatura ocidental atual, e com o caminho que quero seguir, acredito ter sido essencial pra minha formação, inclusive, como escritora.