Dois Irmãos

Dois Irmãos

Milton Hatoum

downloadO autor: tradutor, escritor e professor brasileiro, nascido em 1952 em Manaus. Tem quatro romances publicados.

Sinopse*: “Dois Irmãos” é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

Resenha:  Que livro, minha gente. Decidi ler Dois Irmãos por conta da minissérie exibida na Globo, da qual me encantei, e fui ler o livro que estava na lista de livros à ler e subiu na lista de prioridades. Subiu também pra lista de livros favoritos. Poético, melancólico, pesado, envolvente e lindo.

O livro é narrado por Nael, filho da empregada da família que conta a história a partir do que vê e do lhe contam. A história traz muito da cultura e história de Manaus e do Brasil. Cheia de conflitos sociais, de trama familiar e tabus.

A história de Dois Irmãos conta o conflito entre os gêmeos Yaqub e Omar, filhos de Zana e Halim. Yaqub nasce saudável e forte, mas Omar tem dificuldade respiratórias. Junto do fato vem uma diferença de cuidado que faz Omar, o Caçula, ser o filho mais zelado por Zana, enquanto Yaqub recebe mais cuidados de Domingas, índia que é empregada da família. O casal tem ainda Rania, a filha mais nova. Os gêmeos são completamente diferentes, mas o enredo apresenta um reflexo que vai muito além da personalidade deles e uma diferença entre bem e mal. Foge do clichê de briga de opostos.

O problema entre os irmãos se agrava em uma sessão de cinema no porão da vizinha, quando Yaqub senta-se com Lívia, uma garota que ambos galanteavam. Com ciúme, Omar fica longe, aguardando, e quando a luz é acesa e o casal é visto aos beijos, Omar ataca o irmão com uma garrafa quebrada, atingindo seu rosto, marcando-o com uma cicatriz muito mais profunda que apenas na pele, e que marcaria muito além dos gêmeos. Halim decide mandá-los para o Líbano, pra se entenderem. Zana não permite que Omar vá, mas deixa Yaqub viajar sozinho, acreditam que a distância possa amenizar a rivalidade.

Cinco anos se passaram até a volta de Yaqub, que chega sem lembrar direito como se fala português, com roupas velhas e sem bagagem. Durante o tempo no Líbano não respondeu a nenhuma das cartas da mãe e a família só sabia notícias do filho por meio de amigos ou parentes. O reencontro dos meninos é pesado, doído. Yaqub um moço ainda mais quieto do que quando partiu, sem modos e nitidamente incomodado com todos. Omar, o garoto divertido, escandaloso, mimado e sem responsabilidade.

O decorrer da narração mostra a evolução de Yaqub e a irresponsabilidade de Omar, conta a vida dos gêmeos até a fase adulta, os conflitos, reencontros, separação e angústia.

Esse é um livro que deveria ser obrigatório para todo brasileiro. Leitura mais que recomendada.

 

(Sinopse do Skoob)

Últimas TAG do ano

E mais um ano se vai, esse pra mim, um dos mais corridos e dedicados. Terminei e comecei a semana com boas notícias, e parte do meu projeto caminhando (o mesmo que me fez ficar longe do blog e da escrita esse ano). Tudo para meu bem e evolução. Realizar sonhos é bem difícil.

Mas o post de hoje é pra trazer as 3 últimas TAG que recebi. Eu sei que isso ta parecendo aqueles blogs sobre recebidos do mês, mas gosto de compartilhar o que vem nas caixas misteriosas do projeto.

TAG_Outubro

 

Comecemos com Outubro, com a A louca da Casa de Rosa Montero, que mistura literatura e vida. Um pouco de literatura espanhola pra alegrar o ano.

O brinde foi uma capa de livro, que apesar de lindinha é pouco usual.

 

 

Já em novembro, uma nova edição especial veio na caixa, como fizeram com O vermelho e o negro, trouxeram pra gente agora uma edição especial de A Vitória, o inglês Joseph Conrad. Não o conhecia, mas quando fui ler sua história de vida me encantei.

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E pra terminar o ano, nada melhor que literatura brasileira:

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Ainda estou aqui, do Marcelo Rubens Paiva. Um livro que conta a história de sua mãe, viúva da ditadura.

Fiquei muito feliz de receber esse livro. Esse ano fui a uma palestra com o Rubens Paiva e o Julian Fuks, e me encantei pelo livro. No dia eu estava sem dinheiro e acabei não comprando. No fim, dezembro me trouxe uma edição que veio, inclusive assinada. De brinde ainda tivemos as letras TAG impressas em uma impressora 3D.

Apesar de ter sido um ano fraco em leituras, minha estante ficou bem recheada e parte disso graças à TAG. Projeto leitura pra 2017 grande e projeto não comprar livro também.

 

 

Carvão Animal

Carvão Animal

Ana Paula Maia


carvao_animal_1303261722bO autor:
Ana Paula carioca, nascida em 1977. Estudou teatro na adolescência. Depois entrou na faculdade de Ciências da Computação e Comunicação Social. Seu primeiro livro foi publicado em 2003. Faz trabalho para o teatro e o cinema.

Sinopse*: O romance conta a história do bombeiro Ernesto Wesley e seu irmão Ronivon, funcionário do crematório da fictícia e cinzenta cidade de Abalurdes. Assombrados por uma tragédia do passado que ao longo da narrativa os persegue, esses dois irmãos que lidam com o fogo, um para combater e o outro para apagar os vestígios da existência física de alguém que morreu, seguem com suas vidas simples e driblam as intempéries de uma cidade que está sempre em chamas.

Resenha: Precisei recuperar o fôlego algumas vezes durante a leitura desse livro. A descrição, o animalismo, o envolvimento… Tudo aqui beira o nosso lado animal, o inferno particular. É uma literatura linda de se ler, cada trecho te leva pro fundo de um balde cheio de água, que quando notamos já não há oxigênio nos pulmões. Apesar da referencia à água, existe muito mais secura na obra do que água. O livro é claustrofóbico.

Um tapa na cada a momento, apesar de a expressão ser bem clichê. Uma crítica social intensa sobre pobreza, simplicidade, trabalho, dores e sobrevivência. Personagens simples, quase animalescos, mas que extraem o humano de cada um de nós. Aquele lugar sem vida, sem cor, sem esperança traz à tona uma solidão dolorida que sentimos a emergência de soltar. A claustrofobia do livro não vem apenas da sua literatura, as personagens também estão presos, sem ar em uma vida dura e com gosto de fuligem.

O livro começa com uma constatação simples e triste: a única coisa que restará de nós são os dentes. Por sinal, dentes e fogo são duas personagens do livro. Carvão Animal vem daí, um derivado dessas duas coisas e que rodeia todo o enredo. Em Abalurdes, por sinal, o carvão é a vida e a morte.

A leitura desse livro faz parte de um objetivo pessoal de ler mais brasileiros contemporâneos. Cheguei até ele por acaso, mas depois do primeiro paragrafo foi difícil largar, e em um ano que tenho focado em outros projetos, foi ótima a sensação de ser presa. O livro não é grande, é uma leitura boa, com associações simples mas de uma intensidade absurda. O livro é pequeno (tem menos de 200 páginas) e com capítulos bem alternados. Fácil e rápido de ler. Aproveita o Natal e pede de presente ou compra pro colega, esse livro sem dúvida vale a pena (um dos melhores desse ano). E apesar de Carvão Animal ser incrível sozinho, ele é parte da trilogia A saga dos brutos. Eu não li os livros anteriores, mas já está na lista de necessitados.

(Sinopse do Skoob)

Maratona Carreira Literária

E no último dia 16 saiu a lista das obras participantes da primeira Maratona Carreira Literária.

Ano passado fiz um curso pela plataforma e ao fim tive um conto publicado na antologia que a editora oito e meio (idealizadora do projeto) publicou. No último mês eles abriram basicamente um concurso. Devido as regras, houve uma primeira seleção e meu livro Enquanto a Chuva Caí está lá participando da categoria Prosa. Vamos aguardar o resultado, que terá como premiação a publicação do livro. A partir de agora seguimos para a fase de julgamento dos originais e dos 500, 8 serão escolhidos para a fase seguinte, e depois a fase final. Dia 15 de Setembro haverá um Webinar para divulgar o primeiro resultado dessa fase.

 

Timidez – Cecilia Meireles

O Poema de Sábado essa semana, pós Dia da Literatura Brasileira é de Cecília Meireles. Além de minha admiração por sua escrita, tive a honra de nascer, assim como ela, em um dia 07 de novembro. Se existe algum orgulho maior? Com certeza não.

Esse poema fala, além de timidez (uma que eu considero mais um aguardar do que no sentido de vergonha), sobre o amor. Talvez não correspondido, pela ausência de atitudes. O poema é carregado de um Eu Lírico particularmente que aguarda, espera aquela chegada, aquelas atitudes. Que ama, mas que aguarda.

Timidez

Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve ,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve …

– mas só esse eu não farei

Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras mais distantes…

– palavra que não direi .

Para que tu me adivinhes

entre os ventos taciturnos

apago meus pensamentos

ponho vestidos noturnos,

– que amargamente inventei .

E enquanto não me descobres

os mundos vão navegando

nos ares certos do tempo ,

até não sei sabe quando

-mas um dia me acabarei

Retrato do artista quando coisa – Manoel de Barros

Esse sábado tem gosto de Manoel de Barros, poeta brasileiro. Foi por vezes comparado a Guimarães Rosa. Mas criou um universo único. Com uma visão única, um realismo que envolve. Manoel foi vinculado ao modernismo.

Hoje trago o poema Retrato do artista quando coisa, que particularmente diz muito do que eu sinto sobre mim, a nunca satisfação daquilo que sou. Imagino que todos aqueles que vivem dessa angustia identificam-se com o poema, com o poeta.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas

Literatura brasileira

E hoje vamos falar um pouco sobre literatura brasileira.

O assunto veio, e a vontade de falar sobre ele, com essa lista da Revista Bula sobre 15 livros obrigatórios dos 15 anos da literatura brasileira. A lista é ótima, livros muito bons e de escritores ótimos, felizmente dentre eles tive a oportunidade de participar de um evento com o Santiago. Ótima pessoa e escritor.

Mas o ponto principal dessa conversa é outra: o quanto ainda precisamos valorizar os escritores do nosso próprio país. Costumo acompanhar diversos blogs e vlogs sobre literatura e pouco vejo sobre os livros dos nossos conterrâneos, e não é por falta de qualidade, a própria matéria da revista Bula mostra isso. Claro que como em qualquer frente existe aquilo que se pode ser descartado, mas uma boa parte ainda está ali pronta pra ser descoberta, explorada e amada. Nosso maior exemplo é Machado de Assis, a complexidade, sonoridade, poesia e escrita são encantadoras, merecem toda a atenção e estudo que recebe. E claro temos outros diversos bons exemplos: Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, Castro Alves, Cecília Meireles, Graça Aranha….

Vergonhosamente devo confessar que pouco li e leio da literatura tupiniquim.  E mais vergonhoso ainda é: como uma escritora (ou aspirante a) brasileira não conhece muito sobre a própria literatura? Triste né?

Imagino que a falta de valorização da nossa própria arte ajude nesse passo. A falta de apoio governamental e empresario faz esse triste cenário ser presente na maioria de nós, brasileiros.

Aprendi a gostar e ver o quão rica nossa literatura era quando iniciei a oficina de criação literária. Lá pude ouvir e ler um pouco de cada beleza da nossa palavra, língua, literatura. De lá pra cá pouco li sobre o que foi produzido no nosso país, mas tenho como objetivo de carreira e vida me aprofundar nesse mundo tão lindo e encantador que é a nossa literatura.

Pra ajudar, em uma rápida pesquisa encontrei essa matéria sobre 100 livros essenciais da nossa literatura. Precisamos (e preciso) aprender mais sobre o que temos de bom no nosso próprio país.

Flipobre – A iniciativa para os escritores pobres.

Vocês conhecem a Flipobre?

Bom, essa é uma feira literária diferente, que nasceu com o idealizador Diego Moraes, que cansado de ser excluído da Flip criou o evento que chama de “os escritores com o nome no serasa”.

O evento aconteceu nesse domingo dia 7, infelizmente não consegui acompanhar devido ao fuso horário em que estou essa semana, mas diversos assuntos foram abordados e podem ser vistos agora pelo canal da Flipobre no Youtube.

As mesas de debate foram em cima de assuntos interessantes e importantes para o meio literário: Lima Barreto, Machismo na Literatura, Número de escritores vs números de leitores no país, Editoras e sua real necessidade, entre outros abordados.

O objetivo do Diego é simples: mostrar que os bons escritores não estão só nas grande feiras.

O projeto teve relevância na rede e ganhou diversas reportagens no país todo, o que é ótimo! Quem quiser acompanhar também a página do Facebook é só clicar aqui.

Da triste nova perda do que nos restou.

Essa semana o mundo literário perdeu mais um nome, grande nome Manuel de Barros. Seu coração parou em um dia 13, depois, do que ele próprio descreveu, de um estado de ruína.

Ano de perdas engloba esse 2014, que chegue logo seu fim, que termine e que pare de levar consigo nossos ídolos. Maré de dor que tem trago.

Ano cruel para as palavras, para o coração literário…

Em sua homenagem, o que de melhor ele deixou para nós.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

 Manuel de Barros.

Manuel de Barros.