Claro Enigma

Claro Enigma

Carlos Drummond de Andrade


claro-enigmaO autor:
É considerado por muitos o mais influente poeta brasileiros. Foi mineiro e fez parte do modernismo brasileiro (em sua segunda parte).

Sinopse*: Publicado em 1951, Claro enigma representa um momento especial na obra de Drummond. Com uma dicção mais clássica, o poeta revisita formas que haviam sido abandonadas pelo Modernismo (como o soneto, modalidade que fora motivo de chacota entre as novas gerações literárias), afirma seu amor pela poesia de Dante e Camões e busca uma forma mais difícil, mas sem jamais abandonar o lirismo e a agudeza de sua melhor poesia.
O livro abre com a epígrafe do francês Paul Valéry, “Les evenements m’ennuient” (Os acontecimentos me entediam). Embora eloquente, a citação não corresponde perfeitamente à realidade, pois Drummond não vira completamente as costas para a vida mais pulsante. Pelo contrário: a experiência aparece em cada verso do livro, ainda que escamoteada por uma lírica que não se entrega ao fácil graças a uma visão algo desiludida do tempo e dos homens.
Mas há, claro, espaço para o lirismo do amor, como no célebre poema “Amar”, que começa com os versos: “Que pode uma criatura senão, / entre criaturas, amar?”. A lira romântica de Drummond está bem afinada neste livro, como pode ser comprovado pela leitura de poemas como “Rapto” e “Tarde de maio”. A mineiridade também é lembrada no livro, em poemas vazados pela nostalgia ou que recontam episódios antigos da terra natal do autor.
Claro enigma também conta com “A máquina do mundo” – eleito o melhor poema brasileiro do século XX por um grupo de críticos e especialistas consultados pelo jornal Folha de S.Paulo. Escrito em tercetos, é simultaneamente uma meditação profunda e uma espécie de épica íntima sobre a passagem do tempo e o conhecimento da vida como acontecimento breve e muitas vezes fortuito. Um clássico.

Resenha: Claro Enigma foi o primeiro livro de poemas completo que li. Geralmente quando pegava um ia selecionando, lendo um por vez e quase nunca lia todos. Esse livro também entrou inesperadamente na lista de livros de 2016 por conta dos projetos desse ano, mas foi uma surpresa boa.

A primeira coisa que aprendi com esse livro é que tenho que aprender muito sobre poesia ainda. Elas são complexas, bonitas, intensas, envolventes e surpreendentes. Carregam tanta coisa nas até poucas palavras que trazem pra nós. Patinei um pouco em alguns dos poemas.

Eles foram, inclusive, compostos entre 1940 e 1950. Época em que o mundo era assolado pela Guerra Fria. Tudo era oposição e polaridade. E o contexto é muito forte no livro. Ele é cheio de angustia, assim como, o período foi.  Começa pelo título, Claro e Enigma, um contraponto que carrega em quase todos os poemas. Há no texto uma melancolia, denuncia social e uma busca pela politização do homem, pra poder chegar a sua forma boa. São vários poemas que vão sim te fazem refletir.

Os poemas são divididos em seis partes. Temos também alguns sonetos, e um pouco diferente do que vemos em outros poemas, há uma busca pela forma clássica. É quase uma “deixada de lado” da segunda fase do modernismo. Há homenagens a outros escritores e até familiares do Drummond.

É um livro carregado e com poemas até “pesados”, mas importante pra pensarmos. Há também o poema Maquina do Mundo que em algumas vezes foi considerado o melhor poema brasileiro. Há referencias da maquina do mundo em bastante coisa na literatura; além da maquina do mundo, Drummond trás muita coisa da referencia literária mundial. Só por ser do Drummond já seria suficiente pra ler, mas a recomendação vai também por toda a obra, que é incrível.

(Sinopse do Skoobl)

Substantivo Feminino e Bendita Palavra – Maria Rezende

O domingo passado foi daqueles dias que a gente senta, pega um livro de poesia e fica horas se deliciando. Fiz isso com os dois livros da Maria Rezende, poeta que conheci na Oficina de Criação que cursei o ano passado. Além de poeta ela é dizedora de poemas.

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Dos dois livros, Bendita Palavra foi meu favorito. Fala de amor, vida, mundo. Tem um tom de poesia e um ritmo mais gostoso. Tem aquele gostinho de orgulho de ler contemporâneo, aqueles que a gente sabe que ficarão pra sempre na história.

Da triste nova perda do que nos restou.

Essa semana o mundo literário perdeu mais um nome, grande nome Manuel de Barros. Seu coração parou em um dia 13, depois, do que ele próprio descreveu, de um estado de ruína.

Ano de perdas engloba esse 2014, que chegue logo seu fim, que termine e que pare de levar consigo nossos ídolos. Maré de dor que tem trago.

Ano cruel para as palavras, para o coração literário…

Em sua homenagem, o que de melhor ele deixou para nós.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

 Manuel de Barros.

Manuel de Barros.

Ainda é penta.

Dos pés a bola lhe escapava.

Um imaginário ímã a repelia.

Uma medonha sensação de perda

a cada rede contra balançada.

Sete vezes a viu assim.

Nem o muro em frente ao gol se safou.

O canarinho se calou.

Os gritos não mais se ouvia,

mas as amarguradas e silenciosas lágrimas eram derramadas

Então se adiantou

o sonho do sexto grito

ainda preso.

Nem pra casa voltou.

Pois lá, infelizmente, já estava.

Sonhos

Pegou o sonho com as mãos

E o espremeu deixando vazar por entre os dedos.

Era um sonho tão significante e inalcançável que preferiu esmagá-lo.

Seu coração sangrava respingando lágrimas para fora de seus olhos.

Mas o que afinal poderia fazer além de esmagar?

Espremeu covardemente com vontade,

até tudo nele ser nada

Na frustrada tentativa de ser tudo.

Uma falha mentira de si mesma.